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As glórias de Gaṅgā-devī, Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa e Śrīmatī Gaṅgāmātā Gosvāminī 

  • Foto do escritor: Vana Madhuryam Brasil
    Vana Madhuryam Brasil
  • há 3 dias
  • 25 min de leitura
Gurudeva cantando os santos nomes

Śrīla Bhaktivedānta Vana Gosvāmī Mahārāja

20 de junho de 2021, Zoom


Hoje é um dia muito auspicioso e excelente, pois três manifestações ocorreram nesta data. Primeiramente, falarei sobre Gaṅgā-devī. Hoje, Gaṅgā se manifesta neste mundo material, e por isso, este dia é conhecido como Gaṅgā-daśaharā. A palavra “daśaharā refere-se aos dez dias que se seguem à lua nova; a palavra “daśa significa “dez”. 


Este é um dia muito favorável, pois Gaṅgā-devī desce a este mundo com o propósito de purificar os corações dos seres vivos e libertá-los completamente de suas atividades pecaminosas. 


Nossos śāstras (textos sagrados) explicam:


 āge haya mukti, tabe sarva-bandha-nāśa

tabe se haite pāre śrī kṛṣṇera dāsa


Śrī Caitanya-bhāgavata (Madhya-līlā 17.106)


[“Primeiramente se aufere libertação, na qual todas as amarras materiais são desfeitas. Somente então alguém se torna apto à posição de servo de Kṛṣṇa.”]


No livro sagrado Śrī Caitanya-bhāgavata, Śrīla Vṛndāvana dāsa Ṭhākura explica: “āge haya mukti” — primeiramente, deve-se libertar de todas as atividades pecaminosas (pāpa-karma). Somente então será possível cantar verdadeiramente os santos nomes de Kṛṣṇa. Isso é algo muito importante.


anyatra ca 

 yena janma-śataiḥ pūrvaṁ vāsudevaḥ samarcitaḥ 

tan-mukhe hari-nāmāni sadā tiṣṭhanti bhārata


Hari-bhakti-vilāsa (11.454) 


[“Ó descendente de Bhārata, somente na boca daquele que em cem nascimentos perfeitos adorou o Senhor, é que os santos nomes de Kṛṣṇa estará sempre presente.”]


O próprio Kṛṣṇa disse a Arjuna: “Aquele que adora Vāsudeva Kṛṣṇa por centenas de nascimentos (janma-śataiḥ) torna-se qualificado para cantar os santos nomes (nāma-saṅkīrtana).” Pois, para aqueles que são pecadores (pāpis), o harināma jamais se manifestará em suas línguas. Ratnākara, por exemplo, havia cometido muitas atividades pecaminosas. Quando Nārada Ṛṣi o instruiu a cantar o nome de Rāma, ele não conseguiu, pois seu coração estava carregado de pāpa-karma (pecados). Por isso, ele começou a cantar “mara-mara-mara”. A palavra “mara significa "corpo morto".


ulṭa nāma japata jaga jānā 

vālmīki bhaye brahma-samānā


Rāma-carita-mānasa (Ayodhyā-kāṇḍa)


[“Embora o bandido tenha recitado o nome de Rāma de trás para frente, ele se tornou o mais elevado dos devotos, Vālmīki.”]


Essa é a evidência: até mesmo Ratnākara, que era um mahā-pāpi, um grande pecador, ao repetir o nome “mara” — os santos nomes de forma invertida — acabou por manifestar o śuddha-harināma, o nome puro de Rāma, em sua língua.


Dessa forma, gostaria de explicar que, se vocês simplesmente banharem-se no Ganges, todas as atividades pecaminosas serão destruídas de seus corações. Assim, com o coração puro e limpo (śuddha-hṛdaya), vocês se tornarão aptos a cantar os santos nomes de forma pura. Essa é a evidência apresentada em nossos śāstras.


Agora, falarei brevemente sobre como Gaṅgā-devī se manifestou neste mundo material, bem como sobre o desaparecimento de Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa e o aparecimento de Gaṅgāmātā Gosvāminī neste mundo, de acordo com o humor de nosso amado Gurudeva.


As glórias de Gaṅgā-devī


O que Gurudeva nos disse sobre Gaṅgā-devī? Como todos sabem, ela é a personificação da água que lavou os pés de lótus do Senhor Vāmanadeva. No Śrīmad-Bhāgavatam, Śukadeva Gosvāmī contou para Parīkṣit Mahārāja como Gaṅgā-devī se manifestou neste mundo material. 


Nos tempos antigos, Sagara Mahārāja realizou um aśvamedha-yajña, um sacrifício de fogo de cavalos. Ele havia completado noventa e nove sacrifícios e, no momento em que iria realizar o último sacrifício, Indra ficou tomado pelo medo. Ele pensou que, ao realizar o centésimo aśvamedha-yajña, Sagara Mahārāja poderia tomar dele o poder dos planetas celestiais, Svarga-loka. Por esse motivo, Indra roubou e escondeu o cavalo de Sagara Mahārāja no āśrama (eremitério) de Kapila Muni. 


Quando o sacrifício de fogo estava prestes a começar, eles não conseguiam encontrar o tal cavalo. Assim, os sessenta mil filhos de Sagara Mahārāja saíram à sua procura. Após longa busca, eles finalmente chegaram ao āśrama de Kapila Muni, que estava completamente absorto em seu transe — sentado, de olhos fechados, meditando no Senhor. Diante da cena, os sessenta mil filhos de Sagara Mahārāja pensaram: “Ora, este não é um sādhu, mas sim um impostor, pois escondeu o nosso cavalo atrás dele! Agora que chegamos aqui, ele fechou os olhos e fingiu estar meditando. Esse sādhu é um farsante!” 


Naquele momento, eles agrediram Kapila Muni, que então interrompeu seu transe e abriu os olhos. Os filhos de Sagara Mahārāja dirigiram palavras muito ásperas a ele, o que lhe deixou muito irado. Por fim, a ira saiu de seus olhos e transformou os sessenta mil filhos de Sagara Mahārāja em cinzas.


Quando Sagara Mahārāja tomou conhecimento do ocorrido, dirigiu-se até Kapila Muni para oferecer-lhe stava-stutis (orações e glorificações). O coração de um śānta-mahātmā (uma grande alma santa) é igual a um coco; por fora, é muito duro, mas por dentro é muito macio. Basta que alguém preste reverências aos pés de lótus do sādhu, e seu coração se derreterá. Por este motivo, quando Sagara Mahārāja prestou reverências e recitou stava-stutis para Kapila Muni, isso o deixou muito satisfeito. 


Sagara Mahārāja disse: “A sua maldição transformou meus filhos em cinzas. O que posso fazer agora?” E Kapila Muni respondeu: “Não se preocupe! Se alguém de sua dinastia lhe trouxer gaṅgā-jala, a água que lavou os pés do Senhor Viṣṇu, então, pelo simples contato com essa água, seus filhos alcançarão a perfeição suprema.” 


Diversos reis poderosos nasceram na dinastia de Sagara Mahārāja e realizaram árduas austeridades. Apesar disso, eles não foram capazes de trazer Gaṅgā de Satya-loka para o mundo material.


Gaṅgā-devī é a água que lavou os pés de lótus do Senhor Vāmanadeva. Contarei essa história brevemente. Certa vez, Bali Mahārāja estava realizando um sacrifício de fogo, quando Aditi-nandana, o filho de Aditi (Vāmanadeva) apareceu ali. Ele disse a Bali Mahārāja: “Sou um jovem brāhmaṇa (sacerdote) e gostaria de alguma dakṣiṇā (doação).” Bali Mahārāja perguntou: “O que deseja? Antes de realizar meu sacrifício de fogo, darei-Lhe o que desejar. Pode pedir qualquer doação!” E Vāmanadeva Bhagavān respondeu: “Eu sou filho de um brāhmaṇa. Um brāhmaṇa não tem ambições.” 


Em Kali-yuga, os brāhmaṇas desejam cada vez mais doações. Contudo, em outras yugas (eras cósmicas), eles não agiam assim. As qualidades de um brāhmaṇa são: satyam (veracidade), śaucam (limpeza), dayā (misericórdia) e nirlobha (ausência de ambição). 


Vāmanadeva Bhagavān, afirmando ser um jovem brāhmaṇa, solicitou apenas um pedacinho de terra, cujo tamanho iria medir com o Seu próprio pé. “Tri-pada bhūmi, Eu quero três passos de terra”, disse Ele. Naquele momento, Bali Mahārāja riu e brincou: “Ora, Você é pequenino, e Seu cérebro também é. Eu sou um rei! Você pode me pedir qualquer coisa! Mas está me pedindo apenas três passos de terra? O Seu pé é muito pequeno, não mede mais do que duas ou três polegadas!” Mas Vāmanadeva Bhagavān insistiu: “Eu sou um jovem brāhmaṇa e quero apenas três passos de terra, tri-pada bhūmi.” 


Foi então que Śukrācārya, o guru de Bali Mahārāja, reconheceu Vāmanadeva e disse: “Ó, esse menino é Viṣṇu! Ele se manifestou na forma de Vāmanadeva e irá tirar tudo o que é seu! Não dê nada a Ele!” Mas Bali Mahārāja respondeu: “Se Bhagavān, a Suprema Personalidade de Deus, veio à minha porta pedindo uma doação, fico muito contente! Preciso dar-Lhe algo.” 


Nossos śāstras explicam claramente: “gurur na sa syāt sva-jano na sa syāt” — um guru não é um guru se não puder nos conceder kṛṣṇa-bhakti.


gurur na sa syāt sva-jano na sa syāt

pitā na sa syāj jananī na sā syāt

daivaṁ na tat syān na patiś ca sa syān

na mocayed yaḥ samupeta-mṛtyum


Śrīmad-Bhāgavatam (5.5.18)


[“Quem não pode libertar do caminho de repetidos nascimentos e mortes os seus dependentes, jamais deve tornar-se mestre espiritual, pai, esposo, mãe ou semideus adorável.”]


Bali Mahārāja rejeitou o conselho de seu guru Śukrācārya. Os śāstras dizem que devemos rejeitar os “gurus” que desejam desfrutar dos sentidos por meio de seus discípulos. Vocês devem abandonar esses supostos gurus. 


Ainda assim, Śukrācārya queria impedir Bali Mahārāja de dar qualquer doação para Vāmanadeva. Por isso, com seu yoga-bala (poder obtido pelo yoga), ele entrou no pañca-pātra (vaso de água utilizado para oficializar a doação) e bloqueou o fluxo da água. Contudo, Vāmanadeva disse a Bali Mahārāja: “Não se preocupe! Apenas pegue um pouco de grama kuśa para desobstruir o canal, pois alguma flor talvez esteja impedindo a saída da água.” Quando Bali Mahārāja colocou a grama kuśa no buraco, os olhos de Śukrācārya foram perfurados e começaram a sangrar. Como resultado, Śukrācārya ficou cego e fugiu. Por isso, nossos śāstras o chamam de Śukrācārya, o Cego. 


Bali Mahārāja então fez o voto, afirmando três vezes: “Eu lhe darei, eu lhe darei, eu lhe darei os três passos de terra.” Assim, Vāmanadeva manifestou Seu primeiro pé em uma escala que cobriu o mundo inteiro. Com esse pé, ele tomou Pṛthvī-loka (o planeta Terra). Em seguida, Ele manifestou o segundo pé, que cobriu de Svarga-loka até Satya-loka. Em Satya-loka, Brahmājī adorou os pés de lótus de Vāmanadeva, guardando a água advinda dessa adoração em seu kamaṇḍalu (pote de água). 


Por fim, Vāmanadeva perguntou a Bali Mahārāja: “Já manifestei minhas duas pernas. Onde posso posicionar a terceira?” Mas Bali Mahārāja perguntou: “Como é possível que Você manifeste três pernas? Todas as pessoas possuem apenas duas pernas!” 


Finalmente, Vāmanadeva Bhagavān manifestou uma terceira perna e perguntou: “Onde posso pisar?” Diante disso, Bali Mahārāja pensou: “Eu dei tudo a Ele, mas não a mim mesmo…” Portanto, ele disse com humildade: “Ó prabhu (mestre), com Seu terceiro pé, pode pisar em minha cabeça.” Assim, Vāmanadeva Bhagavān o empurrou até Pātāla-loka. 


Como Gaṅgā-devī se manifestou neste planeta


A água advinda da adoração aos pés de lótus de Vāmanadeva realizada por Brahmājī é conhecida como Gaṅgā. Muitos reis nasceram na dinastia de Sagara Mahārāja e realizaram austeridades para trazer Gaṅgā a esse mundo material, contudo, os seus esforços falharam. Finalmente, na mesma dinastia nasceu Bhagīratha, o filho de Dilīpa. Ele realizou austeridades severas por milhares de anos e orou para que o Senhor Brahmā concedesse uma gota da água que lavou os pés de Vāmanadeva (gaṅgā-jala). 


Mas Gaṅgā-devī dizia: “Eu não desejo ir para Pṛthvī-loka, pois, no mundo material, as pessoas cometem os mais diversos atos pecaminosas (pāpa-karma), e pode ser que eu fique contaminada. Eu não quero ir.” No entanto, Bhagīratha orou repetidamente aos pés de lótus de Brahmājī, e diante disso, Gaṅgā-devī decidiu: “Tudo bem, eu irei até lá.”


Assim, Gaṅgā-devī desceu de Satya-loka até Svarga-loka. Todavia, ela achou aquele local muito bonito e decidiu ficar por lá. Em Svarga-loka, Gaṅgā se chama Mandākinī. Conforme mencionado, ela não desejava vir a este mundo material, Pṛthvī-loka. 


O Garga-saṁhitā descreve uma história muito bonita. Certa vez, Durvāsā Ṛṣi deixou suas vestimentas nas margens do rio Mandākinī Gaṅgā e foi banhar-se em suas águas. De repente, uma grande onda surgiu, e Mandākinī levou suas roupas embora. Durvāsā Ṛṣi, muito irado, a amaldiçoou: “Você deve ir à Pṛthvī-loka!”


Mandākinī ficou muito chateada e, ainda assim, não queria vir para Pṛthvī-loka. Mas devido às árduas austeridades e os stava-stutis que Bhagīratha ofereceu à Gaṅgā, ela assentiu: “Está bem, eu irei. Contudo, o fluxo de minhas águas é fortíssimo; talvez eu vá direto para Pātāla-loka. Se alguém conseguir segurar minha corrente de água em Pṛthvī-loka, eu posso ir até lá.” 


Bhagīratha então orou aos pés de lótus do Senhor Śiva por milhares anos, e realizou árduas austeridades. Muito satisfeito, o Senhor Śiva concordou em segurar o fluxo das águas de Gaṅgā-devī. Desse modo, ela veio de Svarga-loka até Kailāsa, localizada no mundo material. Śivajī segurou o fluxo de Gaṅgā em sua cabeça; Gaṅgā-devī fluía nos dreadlocks de Śivajī. Contudo, ela ainda não queria descer no mundo material. 


Novamente, Bhagīratha realizou árduas autoridades e ofereceu stava-stutis para o Senhor Śiva. Desse modo, uma dhārā (fluxo contínuo) emanou do Senhor Śiva, manifestando Gaṅgā-devī neste mundo material. Assim, finalmente, o simples toque da água do Ganges nas cinzas dos sessenta mil filhos de Sagara Mahārāja os libertou. 


Nossos śāstras descrevem que Gaṅgā possui três nomes. Nos planetas celestiais, ela se chama Mandākinī; no mundo material, Bhāgīrathī; e em Pātāla-loka, Bhagavatī Gaṅgā. 


Śaṅkarācārya glorificou Gaṅgā-devī com belíssimos stava-stutis. No dia de hoje, todos devem recitar o Śrī Gaṅgā-stotram:


devi! sureśvari! bhagavati! gaṅge!

tri-bhuvana-tāriṇi! tarala-taraṅge

śaṅkara-mauli-nivāsini! vimale!

mama matir āstāṁ tava pada-kamale


Śrī Gaṅgā-stotram (1)


[“Ó Deusa resplandecente! Ó soberana de todos os semideuses! Ó Bhagavatī, mui querida do Senhor Supremo! Ó Gaṅgā, que concede libertação aos três mundos! Suas ondas brincam graciosamente, e você reside sobre a coroa do Senhor Śaṅkara (Śiva). Ó Imaculada! Que minha atenção permaneça fixa em seus pés de lótus.”]


Hoje todos devem prestar reverências aos pés de lótus de Gaṅgā-devī. Nossos śāstras explicam:


gaṅgāra paraśa hôile paścāte pāvana

darśane pavitra karô—ei tomāra guṇa


Canção Ei-bāra Karuṇā Karô (3), de Śrīla Narottama dāsa Ṭhākura


[“Somente após tocar as águas do Gaṅgā alguém se torna purificado, mas simplesmente ao ver você (ó Vaiṣṇava), a pessoa já se purifica. Essa é a sua grande qualidade.”]


bhavad-vidhā bhāgavatās

tīrtha-bhūtāḥ svayaṁ vibho

tīrthī-kurvanti tīrthāni

svāntaḥ-sthena gadābhṛtā


Śrīmad-Bhāgavatam (1.13.10)


[“Meu senhor, devotos como sua boa pessoa são, de fato, personificações dos próprios lugares sagrados. Como você traz a Personalidade de Deus em seu coração, você transforma todos os lugares em locais de peregrinação.”]


De acordo com o Śrīmad-Bhāgavatam, os rios sagrados e os locais de peregrinação são contaminados pelos pāpīs (pecadores) que os frequentam. No entanto, quando os devotos puros do Senhor, que carregam os pés de lótus de Kṛṣṇa em seus corações, vão até esses lugares, eles se purificam automaticamente.


Dessa maneira, até hoje, Gaṅgā-devī flui em Pṛthvī-loka e todos se banham em suas águas. Nossos śāstras explicam que simplesmente por entoar os nomes de Gaṅgā: “Gaṅgā, Gaṅgā, Gaṅgā”, seus corações serão purificados. Além disso, se vocês se banharem nas águas dela, alcançarão Vaikuṇṭha-dhāma. Gaṅgā é muito poderosa.


Gaṅgā-devī não é inferior a Yamunā-devī


Certa vez, Gurudeva nos contou uma linda história. Havia um imperador muçulmano conhecido como Akbar, que organizou um debate para definir qual rio era superior: o Ganges ou o Yamunā. Naquela época, os paṇḍitas (eruditos) que moravam nas margens do Ganges o glorificaram com stava-stutis e evidências dos śāstras. Já os que habitavam às margens do Yamunā glorificavam esse rio. 


Os paṇḍitas glorificaram os dois rios durante três dias, mas ninguém foi capaz de dar a decisão final. Quem poderia fazê-lo? Somente uma terceira pessoa. Quando Gurudeva [Śrīla Nārāyaṇa Gosvāmī Mahārāja] e Śrīla Trivikrama Gosvāmī Mahārāja entravam em um debate, Śrīla Vāmana Gosvāmī Mahārāja é quem dava a decisão final.


Foi então que Akbar se deu conta: “Em Vṛndāvana, há um grande Vaiṣṇava, Śrīla Jīva Gosvāmīpāda!” Ele então convidou Jīva Gosvāmī para vir até Agra. Naquela época, durante o império muçulmano, Delhi e Agra eram as capitais da Índia. Jīva Gosvāmīpāda veio diante da assembléia dos paṇḍitas e, de maneira muito simples, perguntou: “Digam-me, quem é Gaṅgā-devī?” “Ela é a água que lavou os pés de lótus de Vāmanadeva”, eles responderam. “E que é Vāmanadeva? Ele é uma manifestação de Vrajendra-nandana Śyāmasundara”, afirmou Jīva Gosvāmīpāda. 


De maneira clara, Śrīla Jīva Gosvāmī continuou: “Quem é Yamunā-devī? Ela é Viśākhā-devī, uma das aṣṭa-sakhīs (oito companheiras) de Śrīmatī Rādhikā.” Em Vraja, Viśākhā-devī é chamada de Paṭṭarāṇī, Yamunā-devī ou Yamunā Paṭṭarāṇī. Há uma belíssima canção em hindi cantada pelos Vrajavāsīs chamada “Yamunā Paṭṭarāṇī”. O nome “Paṭṭarāṇī” significa “rainha”, portanto, ela é a melhor. Jīva Gosvāmīpāda disse: “Digam-me, quem é mais elevado: a rainha ou o servo?” E todos responderam que a rainha é superior. Dessa forma, Jīva Gosvāmīpāda estabeleceu as glórias do Yamunā. 


O Senhor Caitanya Mahāprabhu é forma combinada de Vrajendra-nandana Śyāmasundara e Śrīmatī Rādhikā. 


rādhikāra bhāva-kānti curi kari’ kṛṣṇa

avatari’ ha-ila gaura-rūpa-dhārī


Autor desconhecido

[“Tendo roubado o sentimento amoroso (bhāva) e o brilho dourado (kānti) de Rādhikā, o Senhor Kṛṣṇa descendeu a este mundo, assumindo a bela forma dourada de Gaura.”]


Quando Gurudeva glorificava esses tópicos, seu coração ficava em júbilo. Especialmente em Navadvīpa-dhāma, Gaṅgā é muito proeminente. Se vocês se banharem em suas águas que fluem no Gaṅgotri, em Haridvāra ou em Navadvīpa-dhāma, especialmente no Nidayā-ghāṭa, o benefício que obterão será inigualável. 


O Senhor Caitanya Mahāprabhu realizou doces passatempos em Navadvīpa, especialmente em Nidayā-ghāṭa. Todos os dias, Ele realizava gaṅgā-pūjā (adoração a Gaṅgā-devī), oferecendo lamparinas de ghee, incensos, bananas e diversos outros ingredientes. 


Além de Caitanya Mahāprabhu, Vaiṣṇavas exaltados como Haridāsa Ṭhākura, Nityānanda Prabhu, Advaita Ācārya, Śrīvāsa Ṭhākura e Svarūpa Dāmodara também realizaram doces passatempos no Ganges em Navadvīpa-dhāma.


Apesar de Śrīla Jīva Gosvāmīpāda estabelecer que Gaṅgā não é inferior ao Yamunā, ainda assim, todos pensavam que o Yamunā era superior. Por isso, novamente, Jīva Gosvāmīpāda explicou: “Se vocês se abrigarem em Śrī Navadvīpa-dhāma, serão aptos a alcançar Vṛndāvana-dhāma.”


ārādhitaṁ nava-vanaṁ vraja-kānanaṁ te 

nārādhitaṁ nava-vanaṁ vraja eva dūre 

ārādhito dvija-suto vraja-nāgaras te 

nārādhito dvija-suto na taveha kṛṣṇaḥ 


Navadvīpa Śataka (78), de Śrī Prabodhānanda Sarasvatī


 [“Se você adora Navadvīpa, também adora a floresta de Vraja. Se você não adorar Navadvīpa, a floresta de Vraja estará bem distante. Se você adora o Senhor Caitanya, também adora Śrī Rādhā e Kṛṣṇa em Vraja. Mas se você não adorar o Senhor Caitanya, não poderá adorar Śrī Rādhā e Kṛṣṇa.”


O termo “nava-vanaṁ” indica Navadvīpa-dhāma. Aquele que adora e se abriga em Navadvīpa-dhāma, muito facilmente poderá alcançar Vṛndāvana-dhāma. Contudo, quem não adora Navadvīpa-dhāma não logrará alcançar Vṛndāvana-dhāma por nenhum outro método. Gaṅgā é muito poderosa em Navadvīpa-dhāma.


Que benefício vocês obterão ao se banhar no Yamunā, no Viśrāma-ghāṭa em Mathurā ou no Keśī-ghāṭa em Vṛndāvana? Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura explica: 


bandhu-saṅge ĵadi tava raṅga parihāsa,

thāke abhilāṣa, (thāke abhilāṣa)

tabe mora kathā rākhô, ĵeyo nāko ĵeyo nāko,

mathurāya keśī-tīrtha-ghāṭera sakāśa


Canção Bandhu-saṅge (1)

 

[“Se você deseja rir e se divertir com seus amigos, então ouça me: não vá, não vá ao Keśī-ghāṭa em Mathurā (Vṛndāvana).”] 


Mathurāya keśī-tīrtha — a palavra “mathurāya” indica Mathurā-maṇḍala, Vraja-maṇḍala. Já Keśī-tīrtha é o local onde Kṛṣṇa matou o demônio Keśī. No entanto, esse é um tópico repleto de opulência (aiśvarya).


Kṛṣṇa realizou doces līlās no Śṛṅgāra-vaṭa. Ele é conhecido como dhīra-lalita-nāyaka. Dentre as quatro qualificações de dhīra-lalita-nāyaka, a primeira é preyasī-vaśaḥ, que indica que Ele é completamente controlado por Sua consorte. 


No Keśī-ghāṭa, próximo ao Śṛṅgāra-vaṭa, Kṛṣṇa penteou os cabelos de Śrīmatī Rādhikā. A palavra sânscrita “keśāḥ” significa cabelos. Durante esse passatempo, Śrīmatī Rādhikā manifestou Sua forma chamada svādhīna-bhartṛkā nāyikā. A forma mais elevada de Kṛṣṇa é a de dhīra-lalita-nāyaka, e o humor mais elevado de Śrīmatī Rādhikā está presente em Sua forma como svādhīna-bhartṛkā nāyikā. Os rasika-vaiṣṇavas (almas auto-realizadas e apreciadoras das doçuras transcendentais) compreendem esses tópicos. 


Sendo assim, se vocês se banharem no Keśī-ghāṭa, alcançarão Goloka Vṛndāvana, e Kṛṣṇa lhes concederá a mais elevada posição: a de ser uma serva de Śrīmatī Rādhikā. Muitas pessoas argumentam que o Viśrāma-ghāṭa é mais elevado que o Keśī-ghāṭa, de acordo com a explicação de Sanātana Gosvāmīpāda, mas esse é um outro humor. Keśī-ghāṭa é o local mais elevado, especialmente em Vṛndāvana-dhāma. 


Se vocês se banharem no Viśrāma-ghāṭa em Mathurā, apenas alcançarão Vṛndāvana. Os nossos śāstras explicam que Mathurā é o portão de Vṛndāvana. Após atravessar o portão, adentra-se Vṛndāvana. Se vocês não passarem pelo portão, como chegarão até lá? Vṛndāvana é o coração de Kṛṣṇa e Śrīmatī Rādhikā. Essas são as glórias de Vṛndāvana — Vṛndāvana-mahimā. Muitas pessoas argumentam sobre qual ghāṭa é mais elevado.


Hoje portanto é um dia muito excelente e auspicioso, pois Jīva Gosvāmīpāda concluiu todos esses tópicos. O Brahma-vaivarta Purāṇa e o Brahmāṇḍa Purāṇa descrevem lindas līlās de Gaṅgā no mundo transcendental, Goloka Vṛndāvana.


Certa vez, Kṛṣṇa estava junto de Virajā, isto é, Gaṅgā-devī (Virajā é um dos nomes de Gaṅgā-devī) e, de alguma forma, Śrīmatī Rādhikā tomou conhecimento disso. Ela ficou iradíssima e prosseguiu até a porta do kuñja (bosque) de Gaṅgā. Śrīdhāma, o irmão de Śrīmatī Rādhikā, estava de vigia do lado de fora. Ele tentou barrá-lA, mas muito brava, Ela disse: “Eu tenho que entrar aí!” No entanto, quando Śrīdhāma tentou impedi-lA mais uma vez, Śrīmatī Rādhikā o amaldiçoou, dizendo: “Você irá para o mundo material como um demônio!” E em resposta, Śrīdhāma também A amaldiçoou: “E Você deve ir ao mundo material para sentir saudade de Kṛṣṇa durante cem anos!” 


À força, Śrīmatī Rādhikā entrou no kuñja de Virajā. No entanto, Kṛṣṇa percebeu que Ela estava chegando, e Virajā fugiu dali. Chegando lá, Śrīmatī Rādhikā perguntou: “Kṛṣṇa, me diga, onde está Gaṅgā, onde está Virajā?” E Kṛṣṇa disse: “Não tem ninguém aqui, Eu estou só.” No entanto, Śrīmatī Rādhikā insistiu: “Não, não! Eu estou sentindo o cheiro dela! Me diga!”


Ao perceber que Gaṅgā tinha fugido, Śrīmatī Rādhikā a amaldiçoou: “Você deve ir para o mundo material!” Por esse motivo, Gaṅgā Virajā apareceu neste mundo para purificar o coração de todos os seres vivos. 


Nossos śāstras também explicam que Gaṅgā, ou Virajā, é o nome de umas sakhīs de Śrīmatī Rādhikā. Há muitos detalhes sobre o advento de Gaṅgā-devī neste mundo. Hoje, portanto, é um dia muito excelente e auspicioso, o dia de Gaṅgā-mahimā (da narrativa da grandeza de Gaṅgā-devī).


devi! sureśvari! bhagavati! gaṅge!

tri-bhuvana-tāriṇi! tarala-taraṅge

śaṅkara-mauli-nivāsini! vimale!

mama matir āstāṁ tava pada-kamale


Śrī Gaṅgā-stotram (1)


[“Ó Deusa resplandecente! Ó soberana de todos os semideuses! Ó Bhagavatī, mui querida do Senhor Supremo! Ó Gaṅgā, que concede libertação aos três mundos! Suas ondas brincam graciosamente, e você reside sobre a coroa do Senhor Śaṅkara (Śiva). Ó Imaculada! Que minha atenção permaneça fixa em seus pés de lótus.”]


Śaṅkarācārya glorificou Gaṅgā dessa maneira. As glórias de Gaṅgā, Gaṅgā-mahimā, são belíssimas. Nossos śāstras explicam que, apenas por tocar a água do Ganges, vocês serão libertados deste mundo material. 


Certa vez, enquanto Garuḍa voava sobre o rio Ganges, ele avistou uma cobra escondida em um buraco. Então, ele a retirou pela cabeça, puxando-a para fora, o que fez com que seu ar vital se esvaísse. Em seguida, ao tocar a cauda da cobra nas águas do Ganges, sua alma manifestou uma forma de quatro braços. Assim, Garuḍa abandonou ali o corpo da cobra e levou aquela forma de quatro braços para Vaikuṇṭha-dhāma. Isso demonstra como, de algum modo, se vocês tocarem no Ganges, alcançarão a morada de Vaikuṇṭha. 


Há diversas glorificações ao Ganges. Certa vez, um menino foi se banhar em suas águas quando, no caminho, um touro selvagem o atacou com seu chifre. O menino faleceu, e sua alma foi encaminhada para Vaikuṇṭha. Isso ocorreu porque, anteriormente, o touro havia cavado a terra do Ganges com seu chifre e, pelo simples contato com uma partícula de areia do Ganges, o menino foi libertado deste mundo.


Os śāstras também explicam que nenhum fantasma irá ocupar a casa de quem possuir areia do Ganges (gaṅgā-mṛttikā), água do Ganges (gaṅgā-jala) e tulasī. Desse modo, a mente de vocês jamais ficará perturbada. Portanto, sempre mantenham esses três itens em suas casas. 


Além disso, se alguém estiver prestes a morrer, basta colocar um pouco de gaṅgā-jala em sua boca; é cem por cento garantido que essa pessoa alcançará Vaikuṇṭha-dhāma. Gaṅgā-mahimā — essas são as glórias de Gaṅgā-devī. Os nossos śāstras também explicam que Bhīṣma Pitāmaha é seu filho. Essa história é descrita no Mahābhārata.


As glórias de Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa


Hoje eu também gostaria de glórificar Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu, pois a história dele é muito importante. Ele é conhecido como o sampradāya-rakṣaka, aquele que protege a nossa Gauḍīya Sampradāya. 


Por que Śrīla Bhakti Prajñāna Keśava Gosvāmī Mahārāja manifestou a Gauḍīya Vedānta Samiti? Principalmente porque os advaitavādīs consideravam que o Vedānta era sua sampatti (propriedade). A Gauḍīya Vedānta Samiti representa o Vedānta-darśana (a filosofia do Vedānta) e a essência do Śrīmad-Bhāgavatam. 


A essência de todos os Vedas, Purāṇas e Upaniṣads é o Śrīmad-Bhāgavatam. Essa escritura contém todo o Vedānta-sūtra.


artho 'yaṁ brahma-sūtrāṇāṁ

bhāratārtha-vinirṇayaḥ

gāyatrī-bhāṣya-rūpo 'sau

vedārtha-paribṛṁhitaḥ

grantho 'ṣṭādaśa-sāhasraḥ

śrīmad-bhāgavatābhidhaḥ

Garuḍa Purāṇa


[“O significado do Vedānta-sūtra está presente no Śrīmad-Bhāgavatam, e o pleno significado do Mahābhārata também está lá. O comentário do brahma-gāyatrī também está presente nesta escritura e se expandiu completamente com todo o conhecimento védico. O Śrīmad-Bhāgavatam é o Purāṇa Supremo e foi compilado pela Suprema Personalidade de Deus em sua encarnação como Vyāsadeva. São doze cantos, 335 capítulos e dezoito mil versos.”]


O Garuḍa Purāṇa explica muito claramente que, antes de Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu, ninguém havia manifestado o comentário do Vedānta-sūtra [em nossa sampradāya]. Assim, pela misericórdia imotivada de Śrīla Viśvanātha Cakravartīpāda e Govinda-deva, ele o manifestou. 


Esse kathā é muito bonito e transcendental. Gurudeva contou que, naquela época, em Jaipur, os devotos da Śrī Sampradāya adoravam a deidade de Śrī Rādhā Govinda-deva e eram muito rígidos quanto às regras e regulações. Isso é o que chamamos de vaidhi-bhakti. Logo, eles levantaram uma questão: “Por que devemos adorar Kṛṣṇa junto a Śrīmatī Rādhikā, se Ela não é casada com Ele?” 


Eles diziam: “Existem dois tipos de bhakti: arcana-mārga e bhāva-mārga. É possível adorar Rādha e Kṛṣṇa em bhāva-mārga. Contudo, em arcana-mārga, de acordo com as regras e regulações, como isso seria possível? Ela não é a esposa de Kṛṣṇa. O nome dEla não é nem mencionado no Śrīmad-Bhāgavatam. Qual é a prova de que Śrīmatī Rādhikā é a Sua esposa? É melhor adorarmos Govinda-deva com Rukmiṇī ou Satyabhāmā, pois o Śrīmad-Bhāgavatam e nossos śāstras fornecem a evidência de que Kṛṣṇa se casou com elas.” Essa era a argumentação deles — de que esse não era o arcana-mārga apropriado. Naquela época, o rei de Jaipur não sabia exatamente a definição de arcana-mārga e bhava-mārga. 


Por conseguinte, os devotos da Śrī Sampradāya organizaram um grande encontro em Galta-pahāḍa. Os brāhmaṇas (sacerdotes) de todas as sampradāyas — Śrī, Brahmā, Rudra, e Sanaka —, os Vaiṣṇavas, e até mesmo os advaitavādīs e os māyāvādīs compareceram. Assim, cada sādhu deu a sua opinião e estabeleceu sua própria filosofia sobre como poderia ser possível adorar Govinda-deva com Śrīmatī Rādhikā. 


O rei de Jaipur tinha muito amor e afeição pela Gauḍīya Sampradāya. Por isso, ele sugeriu que Śrīla Viśvanātha Cakravartīpāda também comparecesse e desse sua opinião sobre o assunto. No entanto, naquela época, Śrīla Viśvanātha Cakravartīpāda já estava com uma idade avançada. Ele disse: “Em minha idade, não posso sair de Vṛndāvana.” Então, ele enviou até lá Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu, seu discípulo śikṣā (discípulo que recebe instruções). Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa não recebeu os dīkṣā-mantras de Śrīla Viśvanātha Cakravartīpāda, mas aprendeu com ele todos os śāstras, como os Vedas, Purāṇas e Upaniṣads.


Os śāstras explicam que há dois tipos de iniciação: pāñcarātrika-dīkṣā e bhagavata-dīkṣā. Pāñcarātrika-dīkṣā significa que, de acordo com as regras e regulações do Nārada-pañcarātra, deve-se receber dīkṣā de um guru Vaiṣṇava e fidedigno, pertencente a uma das quatro sampradāyas: Śrī, Brahmā, Rudra ou Sanaka Sampradāya.


sampradāya-vihīnā ye mantrās te niṣphalā matāḥ

ataḥ kalau bhaviṣyanti catvāraḥ sampradāyinaḥ

śrī-brahma-rudra-sanakāḥ vaiṣṇavāḥ kṣiti-pāvanāḥ

catvāraste kalau bhāvya hyutkale puruṣottamāt


Padma Purāṇa (Prameya-ratnāvalī, 1.5)


[“Qualquer mantra que não venha em sucessão discipular é considerado infrutífero. Portanto, quatro indivíduos divinos aparecerão na era de Kali para fundar escolas discipulares. Os fundadores dessas quatro Vaiṣṇava Sampradāyas são Lakṣmī ou Śrī, Brahmā, Rudra e Sanaka Ṛṣi, e os ācāryas da Era de Kali que seguem suas linhagens aparecerão na cidade sagrada de Puruṣottama em Orissa.”]


As escrituras explicam de maneira clara que, sem receber os dīkṣās-mantras de um guru pertencente a alguma dessas sampradāyas, o mantra recebido não dará dar frutos. 


Bhagavata-dīkṣā significa que pode-se receber dīkṣā de um guru Vaiṣṇava pertencente a qualquer outra sampradāya, mas deve-se receber śikṣā (instruções) de um rasika-vaiṣṇava exaltado e aceitar o seu humor no coração para atingir a meta da perfeição. Isso é fundamental. 


Em nossa Gauḍīya Sampradāya, vemos que bhagavata-dīkṣā está especialmente presente. Gurudeva explicava que, onde há bhagavata-dīkṣā, pāñcarātrika-dīkṣā está inclusa. Porém, em pāñcarātrika-dīkṣā, bhagavata-dīkṣā não está inclusa.


Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu recebeu a misericórdia de Śrīla Viśvanātha Cakravartīpāda e prosseguiu até a assembleia em Galta-pahāḍa. Lá, grandiosos paṇḍitas e sādhus palestraram de forma enfática, apresentando a própria filosofia e citando os śāstras.


O tempo estava se esgotando, quando o rei de Jaipur humildemente fez um pedido ao presidente da assembléia: “Um representante de Śrīla Viśvanātha Cakravartīpāda chegou de Vṛndāvana. Dê a ele a chance de falar algo sobre este assunto.” O presidente negou o pedido, alegando que o tempo já estava se esgotando. No entanto, após mais um pedido do rei, ele concedeu apenas cinco minutos. 


Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu era muito magro. As pessoas pensam que os sādhus corpulentos são ótimos, enquanto os sādhus magrinhos são inúteis. Por isso, ao avistarem ele, as pessoas se perguntaram: “O que será que ele falará? Talvez ele voe com o vento!”


Utilizando os cinco minutos que lhe foram concedidos, Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu recitou diversos ślokas, forneceu a evidência de diferentes śāstras e estabeleceu que Śrīmatī Rādhikā se casou com Kṛṣṇa. Em Bhandirvat, foi Brahmājī quem realizou o casamento d’Eles. 


Diante das evidências do Brahma-vaivarta Purāṇa, do Brahmāṇḍa Purāṇa e demais Purāṇas, os paṇḍitas ficaram muito surpresos e concordaram que Śrīmatī Rādhikā é a esposa de Kṛṣṇa. No entanto, ainda assim, eles não estavam dispostos a aceitar a filosofia de Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu. Eles questionaram: “Se você deseja estabelecer qualquer filosofia, primeiro nos diga: qual é a sua sampradāya?” 


“Nós pertencemos à Brahma-Madhva Gauḍīya Sampradāya”, respondeu Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa. Mas eles indagaram: “Madhvācārya escreveu o comentário intitulado Madhva-bhāṣya. No entanto, você está mencionando a Gauḍīya Sampradāya. Nós só aceitaremos a sua sampradāya se vocês possuírem o comentário ao Vedanta-sūtra.” Assim, Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu pediu com humildade: “Tudo bem, deem-me sete dias, e eu entregarei isso a vocês.”


Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu então prosseguiu ao templo de Govinda-deva e ofereceu a Ele muitos stava-stutis. Diante disso, o próprio Govinda-deva escreveu o comentário ao Vedanta-sūtra! Por esta razão, Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa deu ao comentário o nome de Govinda-bhāṣya. Bolo Govinda-bhāṣya kī jaya!


Por que eu estou contando esse kathā? Porque se Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu não tivesse vindo à este mundo, os māyāvādīs e sakhī-bhekīs teriam contaminado a nossa sampradāya e nós teríamos a perdido. 


Vocês podem se perguntar: “Por que anteriormente não havia um comentário ao Vedānta-sūtra [proveniente da nossa sampradāya]?” A razão disso é que Śrīla Jīva Gosvāmīpāda estabeleceu que o Śrīmad-Bhāgavatam é comentário perfeito ao Vedānta-sūtra. 


Por fim, Śrī Baladeva Vidyābhūṣaṇa Prabhu estabeleceu que o nome de Śrīmatī Rādhikā está presente em todos os versos do Śrīmad-Bhāgavatam. 


anayārādhito nūnaṁ

bhagavān harir īśvaraḥ

yan no vihāya govindaḥ

prīto yām anayad rahaḥ


Śrīmad-Bhāgavatam (10.30.28)


[“Certamente esta gopī em particular adorou perfeitamente a todo-poderosa Personalidade de Deus, Govinda, pois Ele ficou tão satisfeito com Ela que nos abandonou e A levou para um lugar isolado.”]


As glórias de Gaṅgāmātā Gosvāminī


Hoje é um dia super excelente e auspicioso pois também é o dia do advento de Gaṅgāmātā Gosvāminī. Anteriormente, seu nome era Śacī-devī e ela era uma princesa em Putia Nareśa. Desde tenra idade, ela se rendeu completamente aos pés de lótus de Kṛṣṇa, considerando-O seu marido. Quando atingiu a juventude, seus pais queriam casá-la, mas ela respondeu: “Não! Eu me rendi completamente a Govinda, Kṛṣṇa. Eu não quero me casar.” 


Após a partida de sua mãe, ela deixou sua casa e prosseguiu até Jagannātha Purī. Lá, ela teve o darśana (visão) de Jagannātha e viajou para vários locais de peregrinação. Depois disso, ela foi para Vṛndāvana. No Rādhā-kuṇḍa, ela encontrou um grande devoto da sucessão discipular de Anantācārya, cujo nome era Haridāsa. Assim, ela recebeu dīkṣā dele e se rendeu completamente a ele. 


Ela realizava o parikramā (peregrinação) em Girirāja Govardhana e no Rādhā-kuṇḍa diariamente, e praticava seu bhajana e sādhana com completa renúncia. Ela morava com uma senhora idosa chamada Lakṣmī-priya e, sob a guia dela, permanecia no Rādhā-kuṇḍa. Gaṅgāmātā Gosvāminī realizava suas práticas espirituais, ouvia hari-kathā e permanecia em sādhu-saṅga dia e noite. Além disso, ela tinha um vasto conhecimento sobre os śāstras (śāstra-jñāna). 


Mais tarde, seu gurudeva a orientou a ir para Jagannātha Purī. Lá, ela permaneceu no local de Sārvabhauma Bhaṭṭācārya, onde o Senhor Caitanya Mahāprabhu manifestou Seus seis braços diante dele. Ela aceitou kṣetra-sannyāsa, o voto de permanecer em um único local sagrado de peregrinação, assim como Gadādhara Paṇḍita. Ela disse: “Eu não vou a nenhum outro lugar; ficarei aqui e realizarei bhajana e sādhana.”


Ela era perita em glorificar o Śrīmad-Bhāgavatam e dava palestras lindas e cativantes sobre a Gopī-gītā, a Bhramara-gītā e a Yugala-gītā, atraindo muitas pessoas. Todos ficavam completamente encantados ao ouví-la.


tava kathāmṛtaṁ tapta-jīvanaṁ

kavibhir īḍitaṁ kalmaṣāpaham

śravaṇa-maṅgalaṁ śrīmad ātataṁ

bhuvi gṛṇanti ye bhūri-dā janāḥ


Śrīmad-Bhāgavatam (10.31.9)


[“O néctar das Suas palavras e as descrições das Suas atividades são a vida e a alma daqueles que sofrem neste mundo material. Essas narrativas, transmitidas por sábios eruditos, erradicam as reações pecaminosas e concedem boa sorte a quem as ouve. Essas narrativas são transmitidas por todo o mundo e estão repletas de poder espiritual. Certamente, aqueles que espalham a mensagem de Deus são os mais generosos.”]


Em poucos dias, ela se tornou muito famosa por suas belas narrativas do Bhāgavatam. Muitos paṇḍitas grandiosos vinham ouvi-la; até mesmo o rei de Jagannātha Purī!


Certo dia, o Senhor Jagannātha deu a bênção à Śacī-devī (Gangāmātā Gosvāminī), de que o próprio Śveta-gaṅgā iria até ela. Ele disse: “Hoje é Mahā-vāruṇī-tithi, um dia muito auspicioso. Portanto, você deve se banhar nessas águas do Ganges.” Assim, à meia noite, quando Śacī-devī se banhava naquelas águas, uma grande correnteza surgiu e a carregou até os pés do Senhor Jagannātha. Ali, Śacī-devī teve uma visão onde milhares de pessoas se banhavam no Ganges, o qual se manifestava dos pés de lótus do Senhor Jagannātha. Todos se banhavam e glorificavam: “Jaya Jagannātha kī jaya! Jaya Gaṅgā-devī kī jaya!


Na manhã seguinte, os guardas de segurança ouviram um barulho vindo da sala do templo e informaram ao rei. Acompanhado por seus guardas, o rei foi até lá e abriu a porta, avistando o templo vazio, onde apenas Śacī-devī se encontrava. O rei disse: “Durante o dia, você fala bhāgavat-kathā, mas à noite, rouba os ornamentos valiosos do Senhor Jagannātha!” Muito bravo, o rei a levou à prisão, e Śacī-devī permaneceu em silêncio.


Por conseguinte, durante a noite [em um sonho], o Senhor Jagannātha ficou muito zangado com o rei e ordenou: “Solte Śacī-devī imediatamente! Ela não é uma mulher comum; na verdade, ela é uma manifestação da minha Lakṣmī-devī!”


Quando o rei perguntou humildemente ao Senhor Jagannātha como ela havia entrado no templo, Ele respondeu: “Na auspiciosa ocasião de Mahā-vāruṇī-tithi, ela estava se banhando nas águas do Śveta-gaṅgā, e por meio de minha Yogamāyā, Eu a trouxe até os meus pés de lótus.” Naquele momento, o rei inclinou a cabeça diante dos pés de lótus do Senhor Jagannātha e de Śacī-devī. E a partir de então, todos passaram a chamá-la de Gaṅgāmātā Gosvāminī.


Todos ouviam o hari-kathā proferido por Gaṅgāmātā Gosvāminī. Ela era muito humilde. Vestindo-se de maneira muito simples, ela falava hari-kathā e cantava os santos nomes constantemente. Dia e noite, lágrimas escorriam de seus olhos enquanto se lembrava da aṣṭa-kālīya-līlā (os oito passatempos diários de Kṛṣṇa em Vṛndāvana).


Gurudeva nos contou um kathā belíssimo. Certa vez, a Ṭhākurajī de um brāhmaṇa, conhecida como Rasika-raya, disse que não desejava mais ficar com ele, pois queria ser servida por Gaṅgāmātā Gosvāminī. O brāhmaṇa então ofereceu a deidade a Gaṅgāmātā Gosvāminī, mas ela respondeu: “Eu não tenho tempo para adorar a Ṭhākurajī.” 


Conforme mencionado, existem dois tipos de bhakti: arcana-mārga e bhāva-mārga. Os devotos exaltados e de alta classe estão sempre concentrados em bhāva-mārga, lembrando-se dos passatempos de Kṛṣṇa. Mas não pensem que vocês estão situados em bhāva-mārga! Não se dirijam às pessoas estúpidas pensando: “Oh, eu quero me tornar uma gopī.” Muitos dizem: “Eu recebi meu siddha-nāma (o nome da minha forma espiritual).” Mas que tolos e patifes! Rejeitem essa concepção e jamais se associem com aqueles que supostamente dizem que são gopīs


Primeiro, leiam o Upadeśāmṛta:


vāco vegaṁ manasaḥ krodha-vegaṁ 

jihvā-vegam udaropastha-vegam 

etān vegān yo viṣaheta dhīraḥ 

sarvām apīmāṁ pṛthivīṁ sa śiṣyāt 


 Śrī Upadeśāmṛta (1), de Śrīla Rūpa Gosvāmīpada


[“Uma pessoa sóbria, que seja capaz de tolerar o desejo de falar, as exigências da mente, as ações da ira e os impulsos da língua, do estômago e dos órgãos genitais, é qualificada para fazer discípulos em todo o mundo.”]


O que dizer dos devotos ocidentais? Até mesmo os devotos indianos ignorantes estão abandonando os cônjuges, arranjando outros cônjuges e indo a locais absurdos para supostamente receber o siddha-nāma e meditar na aṣṭa-kālīya-līlā. Ora! Eu os castigo severamente: “Abandonem essa associação!”


adhikāra nā labhiyā siddha-deha bhāve

viparyaya buddhi janme śaktira abhāve


 Śrī Bhajana-rahasya (texto 10), de Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura


[“Se alguém pensa em seu siddha-deha sem atingir o adhikāra (a realização necessária), sua inteligência fica confusa.”]


Tenham muito cuidado! Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura explicou que, primeiramente, é necessário seguir os quatro princípios (vidhi-mārga). Isso é essencial! Não é tão fácil realizar o próprio siddha-deha (forma espiritual eterna). Tentem compreender o que eu digo. Durante dez mil anos, os ṛṣis e munis (sábios) cantaram o gopāla-mantra, e somente assim eles realizaram seu siddha-deha


Por quantos anos vocês estão cantando o gopāla-mantra? Isso não é nada! Talvez vocês cantem um dia; em outro não. É dessa maneira que vocês desejam realizar seu siddha-deha? Alguns dizem: “Oh, eu recebi meu siddha-deha de tal bābājī.” Ora, seus patifes! Primeiro, pratiquem bhajana e sādhana e leiam o Upadeśāmṛta, conforme Gurudeva orientou. Cantem o gopāla-mantra por dez mil anos e, então, vocês realizarão esses tópicos. 


Vocês não cantam os mantras por um ou dois dias e pensam que conseguiram seu siddha-deha? Qual é o nome de vocês? Lāḍu-mañjarī, Kachorī Mañjarī? Isso é uma estupidez. Não ajam assim. Façam bhajana e sādhana, ouçam hari-kathā e cantem os santos nomes. Quantas voltas de japa vocês estão cantando? Cantar uma ou duas voltas é sinônimo de siddha-praṇālī?


O que é siddha-praṇālī? É o processo pelo qual se busca alcançar o próprio siddha-deha (a forma espiritual perfeita), o ekādaśī-bhāva (os onze aspectos da identidade espiritual), e o pañcadaśā (as cinco etapas, a saber: 1) śravaṇa-daśā, ouvir; 2) varaṇa-daśā, aceitar, 3) smaraṇa-daśā, lembrar; 4) bhāvāpana-daśā, sentir êxtase espiritual; e 5) prema-sampatti-daśā, atingir o nível máximo de prema). Primeiro, pratiquem o sādhana, e então compreenderão isso. De outra forma, a vida de vocês será arruinada, e vocês abandonarão a vida espiritual. 


Pelo menos em uma vida, pratiquem o sādhana — sādhana, não bhajana. Por uma vida, cantem os santos nomes e ouçam hari-kathā. Primeiro, desenvolvam mamatā (possessividade) por Guru e Vaiṣṇavas. Sem servir a eles, como realizarão o próprio siddha-deha


adhikāra nā labhiyā siddha-deha bhāve

viparyaya buddhi janme śaktira abhāve


 Śrī Bhajana-rahasya (texto 10), de Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura


[“Se alguém pensa em seu siddha-deha sem atingir o adhikāra (a realização necessária), sua inteligência fica confusa.”]


Talvez por ter usado gañjā-bhang (cannabis) ou datura (planta que causa alucinações, também conhecida como erva-do-diabo), tais pessoas pensam: “Eu recebi o meu siddha-deha.” Ora, isso é uma estupidez! Como é possível compreender seu siddha-deha sem cantar o gopāla-mantra e os santos nomes?


Cantem os santos nomes e não vão para a linhagem dos bābājīs. Gurudeva castigava fortemente quem tinha essa concepção. Por esse motivo, ele manifestou um livro chamado Prabandha-pañcakam, onde ele refuta a filosofia da sampradāya dos bābājīs. Como é possível que eles sejam devotos puros? Aqueles que erroneamente pensam que realizaram sua siddha-deha não passam de sahajiyās e sakhī-bhekīs.


Por que estou dizendo essas coisas? Estou contando como Gaṅgāmātā Gosvāminī realizou bhajana e sādhana. Ela não era uma mulher comum. O próprio Senhor Jagannātha disse ao rei: “Ela é uma aṃśa (expansão) da minha Lakṣmī”. Ela permanecia absorta na aṣṭa-kālīya-līlā dia e noite. 


Quando ela disse ao brāhmaṇa que não tinha tempo para adorar a Ṭhākurajī, ele foi embora, mas deixou a Ṭhākurajī em seu jardim de tulasī. Por conseguinte, durante a noite, Rasika-raya apareceu no sonho dela e disse: “Gaṅgāmātā, estou no seu jardim de tulasī. Por favor, me sirva.” Assim, pela manhã, ela pegou a Ṭhākurajī e a serviu. Há diversos kathās lindos como este! 


Por uma vida, cantem os santos nomes, façam bhajana e sādhana e desenvolvam mamatā por Guru e Vaiṣṇavas. Assim, passo a passo, seus anarthas (impurezas no coração) serão removidos. De outra maneira, a vida de vocês será arruinada; os bābājīs, as mātājīs e os pitājīs vão acabar com a sua vida. Façam bhajana e sādhana com muito cuidado.


Gurudeva explicou muito belamente como realizar bhajana e sādhana em nossa linhagem. Todos podem ouvir hari-kathā de acordo com sua qualificação (adhikāra). Não estou dizendo que todos estão no mesmo nível. Alguns estão realmente absortos em seu bhajana e sādhana, cantando sessenta e quatro voltas diariamente. Essas pessoas podem ouvir sobre tópicos elevados, por que não? 


Não estou dizendo que, todos os dias, vocês deve ouvir apenas sobre o Upadeśāmṛta, “vāco vegaṁ, vāco vegaṁ…” Estou dizendo que todos devem ouvir hari-kathā de acordo com sua qualificação. Vocês podem ler o Bhakti-rasāmṛta-sindhu, o Ujjvala-nīlamaṇi, a Bhramara-gītā e a Gopī-gītā, pois isso despertará em vocês avidez, e fará com que desenvolvam seu bhajana e sādhana. No entanto, vocês devem dar intensidade no cantar dos santos nomes.


Hare Kṛṣṇa Hare Kṛṣṇa

Kṛṣṇa Kṛṣṇa Hare Hare

Hare Rāma Hare Rāma

Rāma Rāma Hare Hare


Jaya Śrīla Gurudeva kī jaya!

Jaya Jaya Śrī Rādhe!


Créditos e referências

Transmissão ao vivo

GurudevTV


Transcrição

Rādhā dāsī (SC)


Verificação de integridade

Rādhā-kṛṣṇa dāsa (SC)


Edição

Taruṇī-gopī dāsī (SP)


Revisão

Taruṇī-gopī dāsī (Austrália)


Colaboração

Kṛṣṇa Caitanya dāsa (Brasil), Līlānanda dāsa (SP), Premānanda dāsa (Espanha) e Taruṇī-gopī dāsī (Austrália)


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