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O pecado de criticar um santo: a lição dos 100 brāhmaṇas 

  • Foto do escritor: Vana Madhuryam Brasil
    Vana Madhuryam Brasil
  • há 2 horas
  • 6 min de leitura
Gurudeva caminhando na praia

Śrīla Bhaktivedānta Vana Gosvāmī Mahārāja

5  de janeiro de 2026, Rio Grande do Sul


Quando Kṛṣṇa partiu deste mundo material, Kali-yuga iniciou. Nesta era, as pessoas estão sempre brigando e discutindo umas com as outras, pois essa é a natureza delas. A característica de Kali-yuga é o conflito constante, haja ou não uma razão. 


Isso é uma tolice. As pessoas não estão realizando bhajana e sādhana (práticas espirituais), pois estão constantemente em desavença. Hoje em dia, é muito fácil entrar em uma briga: basta acessar o Facebook. Se vocês desejam entrar diretamente em naraka (o inferno), vão até lá e comecem a escrever.


[Eu digo:] “Façam bhajana e sādhana e cantem os santos nomes!” Mas, em vez disso, há apenas tolice. Tentem compreender:


kaler doṣa-nidhe rājann

asti hy eko mahān guṇaḥ

kīrtanād eva kṛṣṇasya

mukta-saṅgaḥ paraṁ vrajet


Śrīmad-Bhāgavatam (12.3.51)


[“Meu querido Rei, embora Kali-yuga seja um oceano de defeitos, ainda há uma boa qualidade a respeito dessa era: apenas por cantar o mahā-mantra Hare Kṛṣṇa, uma pessoa pode se livrar do enredamento material e ser promovida ao reino transcendental.”]


Nesta Kali-yuga, as pessoas têm milhões de defeitos. Essa é a natureza delas. Além disso, as pessoas não olham para as suas próprias falhas, mas sim para os defeitos dos outros. Essa é a característica desta era. Isso é uma estupidez. Are! Cantem os santos nomes!


O Senhor Caitanya Mahāprabhu disse:


kāhāre nā kare nindā 'kṛṣṇa kṛṣṇa' bole 

ajaya caitanya sei jinibeka hele


Caitanya-bhāgavata (Madhya-khaṇḍa 10.312)


[“Aquele que canta constantemente os nomes de Kṛṣṇa sem ofender os outros pode facilmente controlar o inconquistável Śrī Caitanya Deva com o seu amor.”]


Cantem os santos nomes constantemente. Se vocês olharem para as falhas dos outros, todos os pecados deles irão para vocês. 


Certa vez, eu contei uma história muito bonita. Há algumas histórias curtas nas Upaniṣads cujo propósito é facilitar a compreensão [da filosofia] pelas pessoas. Apenas recitar ślokas (versos) torna a palestra monótona. Mas, quando pequenas histórias são contadas, as pessoas compreendem melhor. Que tipo de kathā (narrativas) os bebês gostam de ouvir? Historinhas. Por essa razão, nas Upaniṣads e em diversos textos sagrados, Vyāsadeva Gosvāmī escreveu histórias breves, e isso fazia com que as pessoas ficassem interessadas e ouvissem. Elas perguntavam: “O que aconteceu, o que aconteceu?”


Assim sendo, escutem: certa vez, um sādhu (santo) se apresentou diante de um rei, o qual era completamente ateísta. Ele não tinha fé nenhuma nos sādhus, no guru, nos Vaiṣṇavas, nos śāstras ou em qualquer coisa relacionada a isso. Ele era completamente nirviśeṣa-śūnya-vādī — ele não tinha nenhuma fé em assuntos espirituais. 


O sādhu solicitou ao rei: “Dê alguma doação.” Contudo, o rei negou: “Não lhe doarei nada!” O sādhu insistiu: “Dê-me alguma coisa!” Mas o rei zombou dele. Debochar de um sādhu pode trazer grandes problemas, se ele assim o quiser. O rei deu um pouco de esterco de vaca estragado para o sādhu e disse: “Pegue isso!” E o sādhu aceitou. Aquilo tinha um cheiro horrível, talvez tivesse até alguns insetos.


O sādhu então colocou aquele esterco fedido em frente ao quarto do rei, bem próximo de onde ele estava dormindo. Um odor pútrido e desagradável invadiu o quarto, e o rei não conseguia dormir. Ele então tirou o esterco dali e limpou o local, mas o esterco apareceu novamente. O sādhu havia usado algum poder místico. Repetidas vezes, o rei limpava o local, mas o esterco voltava para o mesmo lugar. Todas as pessoas fugiram dali por causa do odor. Vocês não conseguem nem imaginar o quão fedido era aquele cheiro.


Se surgir um cheiro ruim em um ambiente, vocês permanecerão no local? Não, vocês correrão dali. Da mesma forma, todos correram. Diante disso, o rei pensou: “O que eu faço?” Foi quando ele se deu conta: “Ó, talvez eu tenha cometido uma ofensa aos pés de lótus do sādhu!”


Humildemente, ele foi até o sādhu e perguntou: “Como esse cheiro horrível pode ser removido?” Ao que o sādhu respondeu: “Você é muito avarento. Eu sei que você não deseja fazer nenhuma doação. Por isso, você deve alimentar 100 brāhmaṇas com uma prasāda (alimento santificado) muito saborosa todos os dias, por um ano inteiro.” O rei então alimentou os brāhmaṇas diariamente, e aquele cheiro ruim desapareceu. 


Passaram-se 364 dias. No último dia, o rei disse ao cozinheiro: “Hoje, prepare um arroz doce também!” E ele preparou um arroz doce muito saboroso. Contudo, nesse meio-tempo, uma cobra entrou na cozinha e tocou no arroz doce, contaminando-o com seu veneno. Ninguém viu isso acontecer, portanto, o arroz doce foi servido aos 100 brāhmaṇas, o que resultou na morte de todos eles.


O rei pensou: “O que faço agora? Hoje é o último dia! Eu alimentei os brāhmaṇas por 364 dias, e agora todos eles morreram!” Quem sofrerá por esse brahmahatyā-pāpa, o pecado de matar um brāhmaṇa? O rei, o cozinheiro ou a cobra? 


O rei, muito chateado, contou ao sādhu: “Ó, hoje o arroz doce foi envenenado e todos os brāhmaṇas morreram…” Em resposta, o sādhu disse: “Quem se responsabilizará por tal atividade pecaminosa? Para quem ela será encaminhada? Vá até alguma vila e permaneça lá por uma noite. Assim, você saberá a resposta.” 


O rei se disfarçou de sādhu, foi até certa vila e pediu para se hospedar por ali. Os aldeões disseram: “Há um irmão e uma irmã muito piedosos que acolhem qualquer pessoa que venha até aqui.” Assim, o rei hospedou-se na casa deles.


Na manhã seguinte, o rei precisava partir. De acordo com a cultura védica, quando um sādhu vai embora de sua casa, vocês devem acompanhá-lo por sete passos. Essa prática se chama anugamana. Se vocês não a fizerem, os frutos de suas caridades e doações (puṇya-karma) serão transferidos para o sādhu.


O irmão disse: “Ó sādhu, por favor, espere algumas horas. Minha irmã está meditando.” E após duas horas, ela finalizou sua meditação. O irmão perguntou a ela: “Ó minha irmã, por que demorou tanto hoje? Você normalmente termina sua meditação em duas horas, mas hoje demorou muito mais!” 


Ela respondeu: “Ó meu irmão, durante a minha meditação, fui até os planetas celestiais e presenciei um grande debate. Brahmā, Śiva, Nārada, Yamarāja e demais personalidades exaltadas estavam discutindo. O tema da discussão era a respeito de um rei que alimentou 100 brāhmaṇas com arroz doce, o que resultou na morte de todos eles. E a dúvida em questão era: ‘Quem será responsável por esse pecado?’”


Quando o rei ouviu isso, pensou: “Ó meu Deus! Estão falando de mim!” Ele então perguntou para a irmã: “O que aconteceu? Qual foi a decisão de Brahmājī, Śivajī e Yamarāja?” E ela disse: “Hoje, nenhuma decisão foi tomada. O debate continua em andamento. Eles disseram que amanhã darão uma resposta, então eu devo meditar novamente para ver a conclusão.”


“Eu preciso muito ouvir a conclusão. Posso ficar mais uma noite?”, perguntou o rei. E os irmãos concordaram: “Sim, claro! Você é um sādhu. Um, dois, cinco dias, o quanto você desejar ficar, será bem-vindo aqui!”


Assim, o sādhu permaneceu ali por mais uma noite, e os aldeões começaram a fofocar, pois essa é a natureza de Kali-yuga. “Ó, esse sādhu disse que ficaria na vila por apenas uma noite, mas agora ele vai ficar duas noites! Ele deve ter se atraído pela jovem moça!”, diziam eles. Várias pessoas começaram a espalhar diferentes histórias, especulando de todas as formas possíveis. Na realidade, nada aconteceu. O rei permaneceu na casa deles para ouvir a conclusão do debate. Mas os aldeões tolos, fiéis à natureza de Kali-yuga, começaram a fofocar e criticar. 


Na manhã seguinte, a jovem finalizou sua meditação. O rei perguntou: “Qual foi a decisão? Quem ficará responsável pelo ato pecaminoso de matar 100 brāhmaṇas? Quem arcará com isso?” E a garota respondeu: “Ó, Brahmājī e Śivajī tomaram uma decisão: todos os aldeões serão responsáveis.” Por quê? Porque eles criticaram o sādhu sādhu-nindā


Tentem compreender que aqueles que criticam um sādhu, na verdade, tomam para si todos os pecados dele. No Śrīmad-Bhāgavatam, é dito: se vocês criticarem alguém, todos os pecados (pāpa) dessa pessoa recairão sobre vocês. O śāstra ensina: nunca critiquem ninguém; ao invés disso, cantem os santos nomes.


Hare Kṛṣṇa Hare Kṛṣṇa

Kṛṣṇa Kṛṣṇa Hare Hare

Hare Rāma Hare Rāma

Rāma Rāma Hare Hare


Portanto, entendam: aqueles que criticam herdam todas as reações pecaminosas do sādhu. Tais pessoas pensam: “Ó, eu estou escrevendo muito bem [no Facebook]; várias pessoas estão me apoiando”, mas elas não têm ideia do que está acontecendo. Após a morte, eles irão para Yamaloka, e Yamarāja os punirá severamente: “Ei, seu tolo! Você criticou um sādhu!”



Transmissão ao vivo (trecho entre 1:31:45 e 1:50:24)


Tradução: Indu-mohinī devī dāsī (AL)

Verificação de integridade: Līlā-govinda dāsa (MG)

Diacríticos: Gaura-gopāla dāsa (SP)

Edição: Taruṇī-gopī dāsī (SP)

Revisão: Rādhā-kṛṣṇa dāsa (SC)

Imagem: Navīn-kṛṣṇa dāsa (Holanda)


Logo Vana Madhuryam Brasil com a imagem de Radha e Krishna.

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