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O aparecimento de Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja

  • Foto do escritor: Vana Madhuryam Brasil
    Vana Madhuryam Brasil
  • 28 de ago.
  • 12 min de leitura

Śrīla Bhaktivedānta Vana Gosvāmī Mahārāja

2012, Holanda


Falarei sobre Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja e sua história de vida. Apesar de ser um nitya-parikara, um associado eterno de Śrī Caitanya Mahāprabhu e do Casal Divino, Śrī Śrī Rādhā e Kṛṣṇa, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja realizou diversas atividades em seus passatempos humanos (mānava-līlā). 


Alguns de vocês já ouviram Śrīla Gurudeva contar essas histórias diversas vezes, como, por exemplo, o momento em que Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja recebeu iniciação de Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Prabhupāda. Como muitos podem perceber, os discípulos de Śrīla Bhaktisiddhānta Prabhupāda são muito elevados; isso é evidente. Na canção Śrī Prabhupāda-padma-stavakā, Śrīla Bhakti Rakṣaka Śrīdhara Gosvāmī Mahārāja diz:


vṛṣabhānu-sutā-dayitānucaraṁ 

caraṇāśrita-reṇu-dharas-tam-aham 

mahad-adbhuta-pāvana-śakti-padaṁ 

praṇamāmi sadā prabhupāda-padam 


Śrī Prabhupāda-padma-stavakā (11) 


[“Uma vez que você é um servo exclusivo de Vṛṣabhānu-nandinī, Śrīmatī Rādhikā, minha ousada aspiração é refugiar-me plenamente, como uma diminuta partícula atômica daquela cintilante poeira que se agarra aos seus lindos pés de lótus. Sua maravilhosa śakti (potência) pode libertar o mundo inteiro. Ofereço eternamente meus respeitos a essa refulgência encantadora que resplandece das radiantes pontas dos dedos dos pés de lótus de Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Ṭhākura Prabhupāda.”]


Aqueles que se abrigaram nos pés de lótus de Śrīla Bhaktisiddhānta Prabhupāda, o mahat (grande) Prabhupāda, possuem muita śakti (potência) dentro deles. Todos os discípulos de Bhaktisiddhānta Prabhupāda são extremamente poderosos. De fato, ele disse: “Não estou formando discípulos; estou formando gurus.” Tentem compreender suas palavras, pois tudo o que ele disse é verdade. Um guru genuíno não forma discípulos; ele forma gurus. Mas o que é necessário para que isso aconteça? 

 

O guru é comparado a um carpinteiro, que precisa de um pedaço perfeito de madeira para construir um barco muito bonito. Nesse barco, ele poderá transportar muitos passageiros pelo rio.


Observem como Śrīla Bhaktisiddhānta Prabhupāda realizou essa façanha e manifestou diversas coisas. Muitos de seus discípulos, como Śrīla Bhakti Rakṣaka Śrīdhara Gosvāmī Mahārāja, Śrīla Bhakti Pramoda Purī Gosvāmī Mahārāja, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja e parama-guru Mahārāja, Śrīla Bhakti Prajñāna Keśava Gosvāmī Mahārāja, são de uma classe elevada. Eles são śuddha-bhaktas (devotos puros e exaltados).


É importante reconhecer o quão poderosos todos eles eram. Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja foi a joia da coroa entre todos os discípulos de Śrīla Prabhupāda. Śrīla Bhaktisiddhānta Prabhupāda teve muitos discípulos, mas o nome de Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja estava no topo de sua lista. 


Certa vez, Gurudeva disse: “Svāmī Mahārāja é um śaktyāveśa-avatāra (uma manifestação da potência do Senhor). O Senhor Caitanya Mahāprabhu manifestou toda a Sua śakti em seu coração, caso contrário, suas incríveis realizações não teriam sido possíveis.”


O texto sagrado Śrī Caitanya-caritāmṛta fornece as evidências das escrituras sobre este tópico. O Senhor Caitanya Mahāprabhu declara: “kṛṣṇa-śakti vinā nahe tāra pravartana — a menos que alguém seja especificamente empoderado pelo Senhor, ele será incapaz de pregar os santos nomes por todo o mundo. Isso simplesmente não será possível.” 


Talvez vocês já tenham ouvido a seguinte história: certa vez, um discípulo de Svāmī Mahārāja nos contou que, durante uma grande conferência em Nova York, ou em algum outro lugar dos Estados Unidos, muitos líderes de várias religiões foram convidados para falar sobre suas respectivas filosofias. Também estavam presentes membros da Missão Rāmakṛṣṇa, da Associação Bharata Sevāśrama, e de muitos outros grupos religiosos indianos. 


No final da conferência, um jornalista, de forma muito desafiadora, se levantou e disse: “Vocês vieram da Índia, um país muito pobre, para o nosso país, que é rico. O que vocês podem nos oferecer? Por acaso vieram aqui apenas para retornar aos vossos países com a nossa fortuna? Vocês dizem que os Vedas afirmam que tudo é Brahma, mas nós também afirmamos que somos Brahma. Nós somos impersonalistas (nirviśeṣa-vādīs), portanto, vocês estão proclamando as mesmas coisas que nós! Nós também somos voidistas (śūnya-vādīs) e não acreditamos em Deus. Portanto, o que há de novo no que estão nos oferecendo? Nada! Todos vocês concederam diversas palestras, declarando que os Vedas afirmam isso ou aquilo, mas nós afirmamos as mesmas coisas!”  


“A verdade é que vocês simplesmente vieram até aqui para coletar dinheiro e retornar para suas casas. Os māyāvādīs (impersonalistas) se referiram aos Vedas e mencionaram como todos são Brahma. Os budistas discorreram sobre nirviśeṣa-vada e śūnya-vada. Mas o que significa śūnya-vada? Aparentemente, nada! Alguns de vocês nos instruíram a dedicar-se apenas ao karma (as atividades fruitivas), no entanto, já estamos realizando isso. Que novas instruções vocês estão nos ensinando? Já acreditamos em karma e trabalhamos muito o dia inteiro! Tudo o que vocês abordaram já está sendo pregado e praticado aqui!”, concluiu o jornalista.


Naquele momento, alguém respondeu: “Svāmījī veio até aqui e nos deu algo, sem exigir nada em troca. Ele nos deu harināma (os santos nomes do Senhor) e nos mostrou como aplicar tilaka (marcas sagradas no corpo). Ele explicou ainda que Kṛṣṇa é a Suprema Personalidade de Deus, Svayaṁ Bhagavān, quem nos dará a verdadeira paz e o amor puro. Ele discutiu sobre śānti (paz), prema (amor) e maitrī (amizade), e nos mostrou como aplicar esses princípios em nossas vidas. Ele nos deu tudo isso, e inspirou os jovens a adotar valores e práticas espirituais altamente civilizadas, como raspar a cabeça e aplicar tilaka. Além disso, ele nos aconselhou a abandonar hábitos ruins, como comer carne, beber álcool, jogar jogos de azar e realizar sexo ilícito. Embora todos aqui estejam falando sobre tópicos religiosos mundanos e dizendo mais do mesmo, ele nos ensinou o completo oposto, abordando a mais elevada verdade.” 


Observem as declarações corajosas dessa pessoa sobre a filosofia Vaiṣṇava, sem nenhum tipo de reserva. Essa pessoa declarou claramente: “Svāmījī nos forneceu ensinamentos valiosos, no entanto, todos vocês estão pregando o contrário. Svāmī Mahārāja nos revelou o que é a verdadeira filosofia Vaiṣṇava.” 


O orador perfeito é aquele que fala a verdade a partir das escrituras sagradas (śāstras).  


dharmaḥ projjhita-kaitavo ’tra paramo nirmatsarāṇāṁ satāṁ 

vedyaṁ vāstavam atra vastu śivadaṁ tāpa-trayonmūlanam 

śrīmad-bhāgavate mahā-muni-kṛte kiṁ vā parair īśvaraḥ 

sadyo hṛdy avarudhyate ’tra kṛtibhiḥ śuśrūṣubhis tat-kṣaṇāt 


Śrīmad-Bhāgavatam (1.1.2) 


[“Rejeitando completamente todas as atividades religiosas materialmente motivadas, este Βhagavata Purāṇa propõe a verdade mais elevada, que é compreensível para aqueles devotos que são totalmente puros de coração. A verdade mais elevada é a realidade que se distingue da ilusão, para o bem-estar de todos. Tal verdade aniquila as três espécies de misérias. Este belo Bhāgavatam, compilado pelo grande sábio Vyāsadeva (em sua maturidade), é por si só suficiente para a compreensão de Deus. Qual a necessidade de qualquer outra escritura? Tão logo alguém ouça atenta e submissamente a mensagem do Bhāgavatam, mediante tal cultivo de conhecimento, ο Senhor Supremo Se estabelece dentro de seu coração.”] 


“Dharmaḥ projjhita” significa rejeitar completamente a religiosidade que é “kaitavo”, ou seja, motivada por interesses materiais e enganosa por natureza, também conhecida como kapaṭa-dharma ou chala-dharma.  


pṛthivīte yāhā kichu dharma-nāme cale 

bhagavat prahe tāhāṅ paripūrṇa chale 


Jaiva-dharma (Capítulo 40) 


[“O Bhāgavatam declara que tudo o que neste mundo se faz passar por dharma é, na verdade, um grande engano.”] 


Neste mundo material, existem diversas formas de dharma (religião), algumas das quais são conhecidas em hindi como chala ou kapaṭa-dharma (dúplices e hipócritas). Entretanto, o bhāgavata-dharma é o dharma perfeito, e é conhecido por diversos nomes, tais como vaiṣṇava-dharma, jaiva-dharma e sanātana-dharma.


O texto sagrado Jaiva-dharma, de Śrīla Bhaktivinoda Ṭhākura, é muito bem elaborado acerca deste tópico. Se o dharma é único, por que há tantos outros dharmas surgindo? O dharma é, de fato, único, e esse dharma, que é perfeito, é conhecido como ātmā-dharma, jaiva-dharma, vaiṣṇava-dharma ou sanātana-dharma

 

Nós não somos brāhmaṇas (sacerdotes), vaiśyas (comerciantes) ou śūdras (trabalhadores), embora muitos afirmem: “Eu faço parte do brāhmaṇa-dharma, enquanto outras pessoas são de diferentes dharmas, como o dharma budista e o dharma cristão.” Na verdade, não é bem assim, pois há apenas um dharma: o jaiva-dharma. E essa prática adequada foi pregada por Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja. Esse dharma indica a verdadeira natureza da alma. Eis o nosso dharma inerente: 


jīvera ‘svarūpa’ haya — kṛṣṇera ‘nitya-dāsa’ 

kṛṣṇera ‘taṭasthā-śakti’ ‘bhedābheda-prakāśa’ 


Caitanya-caritāmṛta (Madhya-līlā 20.108) 


[“A posição constitucional do ser vivo é de ser um servo eterno de Kṛṣṇa. Enquanto potência marginal de Kṛṣṇa, ele é uma manifestação simultaneamente igual a Ele e diferente d’Ele.”] 


Como explicado no Jaiva-dharma, há apenas um dharma espontâneo, e a pregação de Svāmī Mahārāja nos mostrou a maneira apropriada de praticá-lo.  


“Você será o melhor pregador” 


Certa vez, em Calcutá, houve uma grande dharma-sabhā, uma assembleia religiosa, com a presença de muitos palestrantes, incluindo o famoso orador Rabindranātha Tagore, que ganhou um Prêmio Nobel. 


Após o discurso de Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja, cujo nome na época era Abhaya Babu, Rabindranātha Tagore dirigiu as seguintes palavras à ele: “Muitos palestrantes declararam diversas coisas sobre o dharma. No entanto, suas palavras tocaram e derreteram o coração de todos por completo. Se você decidir pregar, será o melhor pregador.”  


Naquela época, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja era um empresário muito bem-sucedido e trabalhava como executivo em uma grande empresa farmacêutica. Além disso, ele organizou essa dharma-sabhā com a ajuda de fundos arrecadados em seu círculo social influente. 


Mais tarde, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja recebeu as iniciações de harināma e dīkṣa de Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Prabhupāda. Seu Gurudeva lhe disse: “Se você pregar nos países ocidentais, nossa missão se espalhará cada vez mais.” No entanto, ele não seguiu essa instrução imediatamente. Em vez disso, muito humildemente, pensou: “Sou um gṛhastha (chefe de família). Preciso manter meus negócios e demais interesses. Como irei pregar e realizar essas atividades simultaneamente?” 


Cerca de quarenta anos se passaram, e ele ainda não havia cumprido a instrução de seu Gurudeva. Nesse meio tempo, Śrīla Bhaktisiddhānta Prabhupāda enviou muitos pregadores para os países ocidentais. Certa vez, Śrīla Bhakti Hṛdaya Bon Mahārāja viajou para a Alemanha para palestrar em uma universidade alemã e, para a surpresa de todos, ele proferiu a palestra em alemão perfeito. Todos esses eventos estão registrados em sua biografia. Os presentes ficaram surpresos ao ver que alguém da Bengala, na Índia, era capaz de proferir uma palestra em alemão perfeito. Ele também pregou na Inglaterra, onde chegou a ter o rei da Inglaterra entre seus ouvintes, que ficou igualmente impressionado com sua palestra.


Infelizmente, assim como os esforços de Śrīla Bhakti Hṛdaya Bon Mahārāja, os esforços de vários outros pregadores proeminentes dentro da Gauḍīya Maṭha, como Śrīla Bhakti Sāraṅga Gosvāmī Mahārāja, Śrīla Bhakti Vilāsa Tīrtha Mahārāja e outros discípulos de Śrīla Bhaktisiddhānta Prabhupāda, não foram, em última análise, bem sucedidos.


Assim, após quarenta anos, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja estava a pensar: "Meu Gurudeva me deu a ordem de pregar nos países ocidentais. Mas como farei isso?” Sem a misericórdia do guru, é impossível pregar. Quem ouvirá o seu hari-kathā? Vocês podem pensar: "Sou um orador muito bom. Acompanhado por um locutor experiente, todos serão atraídos.” No entanto, a realidade não é bem assim, pois sem a misericórdia de Guru e Kṛṣṇa, ninguém realmente ouvirá vocês. Talvez algumas pessoas compareçam para ouvir sua palestra, contudo, o coração delas não será tocado.


Muitos cantores se apresentam para milhões de pessoas que os assistem pela televisão; no entanto, que benefício isso traz? Nenhum. O coração de ninguém é tocado. Talvez vocês já tenham experienciado isso antes, mas o que mudou dentro de vocês? Nada. Nenhum coração foi tocado, e todos continuaram gratificando seus sentidos e cometendo atividades pecaminosas. Na Índia, isso ocorre com frequência; muitos cantores e oradores realizam assembleias, onde milhares de pessoas comparecem para ouvir bhagavat-kathā, embora nada resulte disso.


No Śrīmad-Bhāgavatam, Śukadeva Gosvāmīpāda menciona o seguinte verso: 


yasyāham anugṛhṇāmi 

hariṣye tad-dhanaṁ śanaiḥ 

tato ’dhanaṁ tyajanty asya 

svajanā duḥkha-duḥkhitam 


Śrīmad-Bhāgavatam (10.88.8)


[“Se concedo favor especial a alguém, Eu o privo aos poucos de sua riqueza. Então, os parentes e amigos de tal homem empobrecido o abandonam. Desse modo, ele sofre uma aflição atrás da outra.”] 


Kṛṣṇa diz: "Àquele a quem Eu concedo a misericórdia, automaticamente removo os seus apegos." Assim sendo, os negócios de Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja fracassaram, no entanto, ele ainda pensava: "Eu devo continuar trabalhando em meus empreendimentos."


Gurudeva nos contava que, quando Svāmī Mahārāja chegou a Mathurā, ficava hospedado em um quarto perto do Viśrāma-ghāṭa. Enquanto estava lá, ele tentou lançar outro empreendimento comercial, mas não teve sucesso — ele não ganhava o suficiente nem mesmo para pagar o aluguel. Gurudeva encontrava-se com ele muitas vezes e dizia: "Venha ficar conosco em nosso templo!” No entanto, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja respondia: "Não, não, eu não quero me tornar um sādhu (santo)." 


Certo dia, Gurudeva foi pessoalmente ao seu quarto, pegou toda a sua bagagem, colocou-a na rickshaw (pequeno veículo de passageiros) e levou Svāmī Mahārāja para a nossa Śrī Keśavajī Gauḍīya Maṭha. Ele insistiu: "Você deve vir!” Naquela época, o preço da viagem em uma rickshaw era de apenas cinquenta paisa (centavos indianos). Svāmī Mahārāja não tinha nem cinquenta paisa para pagar o motorista, então Gurudeva disse: "Eu pago!", e entregou-lhe a quantia.


Depois disso, Gurudeva disse a ele: "Você ficará conosco e não precisará fazer nada.” Mas, sendo muito humilde, Svāmī Mahārāja pensava: "Oh, na minha velhice, se eu ficar no templo, os brahmacārīs vão me criticar, dizendo: 'Durante toda a sua vida, você gastou sua energia cuidando da sua família. Agora o fardo da sua velhice cairá sobre os ombros de nós, brahmacārīs?'” Essa é a natureza deste mundo. 


Temendo que o criticassem, Svāmī Mahārāja não queria ficar no templo. De qualquer forma, Gurudeva o forçou: "Não, você ficará conosco. Você precisará apenas editar nosso patrikā (periódico) em hindi. Não há necessidade de fazer mais nada, nem de realizar nenhum sevā (serviço) difícil." Naquela época, Svāmī Mahārāja era idoso, com cerca de sessenta anos de idade.


Então, Śrīla Gurudeva humildemente o incentivou: "Você deve aceitar sannyāsa (a ordem de vida renunciada)." Naquela época, Gurudeva já havia aceitado sannyāsa. Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja era seu sênior, e seria natural que ele tivesse aceitado sannyāsa antes de Gurudeva. Assim, Gurudeva disse: "Ó Prabhu, por favor, aceite sannyāsa." Contudo, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja recusou. 


Quando parama-guru Mahārāja (Śrīla Bhakti Prajñāna Keśava Gosvāmī Mahārāja) chegou, Gurudeva, Śrīla Bhaktivedānta Nārāyaṇa Gosvāmī Mahārāja pediu: "Por favor, dê sannyāsa a ele." Mesmo assim, Svāmī Mahārāja respondeu novamente: "Não, não. Somente se Sanātana Prabhu (nome de brahmacārī de Muni Mahārāja) tomar sannyāsa, eu aceitarei." Assim, finalmente, ele aceitou sannyāsa, e Gurudeva realizou sua cerimônia de fogo. Gurudeva também preparou sua daṇḍa, dor-kaupīna e tudo mais. Ele era como um purohita-brāhmaṇa (um sacerdote que realiza os rituais em um templo ou em qualquer outro lugar onde um ritual é realizado).


Ao lado de Rādhā-Vinoda Bihārī, na parte superior do altar, encontra-se a deidade de Śrī Caitanya Mahāprabhu, que foi pessoalmente adorada por Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja (Śrī Keśavajī Gauḍīya Maṭha, Mathurā, Índia)
Ao lado de Rādhā-Vinoda Bihārī, na parte superior do altar, encontra-se a deidade de Śrī Caitanya Mahāprabhu, que foi pessoalmente adorada por Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja (Śrī Keśavajī Gauḍīya Maṭha, Mathurā, Índia)

Qual é o próximo passo para alguém que aceita sannyāsa? A pregação. Em uma ocasião, quando Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja foi pregar em Jhansi, surgiu um grande problema. Sheshayi Prabhu disse: "Eu era seu sevaka (servo) principal. Fui com ele e mais quatro brahmacārīs para pregar em Jhansi. Ele pregava aqui e ali, mas, infelizmente, poucos compareciam ao seu hari-kathā." 


Eles estavam hospedados na casa de um gerente de banco e, após algum tempo, um brahmacārī foi embora, depois outro… Sheshayi Prabhu disse: "Eu permaneci lá com ele, entretanto, todos os outros brahmacārīs foram embora, pois ninguém comparecia aos programas para ouvir seu hari-kathā." Diante disso, Svāmī Mahārāja pensou: "Oh, Kṛṣṇa não permite que eu pregue." Então, ele decidiu permanecer na casa desse gerente de banco e cantar os santos nomes. Ele cantava três lakhs de santos nomes diariamente, possivelmente mais — ouvi isso apenas de Sheshayi Prabhu. Enquanto estava lá, ele estava sempre entoando os santos nomes e cantando. 


Após um mês, ele decidiu: "Tenho que voltar." Então, Sheshayi Prabhu e Svāmī Mahārāja voltaram para a Śrī Keśavajī Gauḍīya Maṭha. Seu raciocínio foi: "Vou realizar meu bhajana e sādhana (práticas espirituais) em Vṛndāvana. Não tenho outra opção, pois ninguém se atraiu e compareceu para ouvir meu hari-kathā. O que posso fazer?" Mais tarde, ele chegou a Vṛndāvana e foi para o templo de Rādhā-Dāmodara, onde passou seu tempo cantando os santos nomes, realizando seu bhajana e sādhana, trabalhando em seu “Bhagavad-gītā Como Ele É” e iniciando a tradução do Śrīmad-Bhāgavatam.  


Gurudeva sempre demonstrou muito amor e afeição por ele. Ele dizia: "A cada dois ou três dias, eu visitava Vṛndāvana e me encontrava com ele. Às vezes, eu abria capātī (pão achatado) e ele fritava." Depois disso, os dois ficavam juntos e discutiam hari-kathā, assim como Rūpa e Sanātana Gosvāmī faziam quando estavam em Ter-kadamba e Pāvana-sarovara. Às vezes, Sanātana  Gosvāmīpāda viajava para Ter-kadamba para se encontrar com Rūpa Gosvāmīpāda e compartilhar hari-kathā com ele. 


Na época de Gurudeva, não havia opulência. Gurudeva disse: "Eu colocava meu próprio cādar (manto) no chão e sentava junto de Svāmī Mahārāja para comer capātī. Não havia sabjī (vegetais) para complementar o pão." Talvez eles também tivessem algum chutney de manga em conserva ou algo do gênero. Muitos de vocês já conhecem a história de vida de Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja; estou apenas relembrando-a neste dia auspicioso. 


Por fim, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja pensou: "Eu devo pregar nos países ocidentais." Ele decidiu que, não importava o que acontecesse, visitaria os países ocidentais. Assim, ele completou sua edição da Bhagavad-gītā e ofereceu uma cópia ao primeiro-ministro Lal Bahadur Shastri. Em seguida, organizou uma viagem para o continente ocidental em um navio chamado Jaladuta.  


Como seria possível alguém da idade dele viajar de navio para os países ocidentais? Acredito que a viagem durasse cerca de trinta a quarenta e cinco dias. Algumas vezes, eu também utilizei um método de viagem semelhante. Certa vez, fui para a Sardenha de barco. A viagem levou um dia inteiro, e, durante todo esse tempo, o corpo ficou balançando com o movimento do barco. Às vezes, as pessoas estavam dormindo e, de repente, caíam da cama! 


Vocês conseguem imaginar ficar em um navio no mar por quarenta dias? A situação era tão terrível que ele chegou a sofrer dois ataques cardíacos durante a viagem. Apesar disso, chegou aos Estados Unidos, e seus passatempos de pregação no Ocidente começaram, como muitos de vocês já sabem.


Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja foi para o Ocidente para pregar em um país completamente materialista. Durante seu primeiro ano, ele foi recebido por indianos não-devotos que não eram muito suscetíveis à sua pregação. É muito difícil pregar nos países ocidentais. Até mesmo em seu praṇāma-mantra é dito: “nirviśeṣa-śūnyavādi-pāścātya-deśa-tāriṇe — aquele que libertou os países ocidentais, repletos de impersonalismo e voidismo.” Sendo assim, como ele pregou?  


No início, poucos ouviam seu hari-kathā. Inicialmente, foi muito difícil para ele realizar sua missão. Hoje em dia, é muito mais fácil. Em todos os lugares que visitamos, os discípulos de Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja, de Śrīla Gour Govinda Mahārāja e de outros gurus nos recebem em suas casas e nos oferecem uma deliciosa prasāda (refeição). Em comparação com as gerações anteriores, sinto que a situação dos pregadores está muito mais fácil atualmente.  


Dessa forma, durante um ano, Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja não pôde pregar aqui nem ali. Como ele poderia ter pregado? Quem teria ouvido seu hari-kathā? Lembrem-se sempre de que, sem a misericórdia de Guru e Kṛṣṇa, o sucesso na pregação não é possível. Portanto, o que é realmente necessário? Guru-niṣṭha (fé firme em śrī guru). Assim, um dia, seus esforços serão bem-sucedidos. 


[Jaya Śrīla Bhaktivedānta Svāmī Mahārāja kī jaya!]

[Jaya Jaya Śrī Rādhe!]


Transcrição em inglês

Vana Madhuryam Official


Tradução

Induprabhā devī dāsī (SP)


Edição

Acyuta-priyā devī dāsī (SP) e Taruṇī-gopī dāsī (SP)


Diacríticos

Mañjarī-priyā devī dāsī (SC)


Revisão

Taruṇī-gopī dāsī (SP)


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