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Jhulana-yātrā, o festival do balanço

  • Foto do escritor: Vana Madhuryam Brasil
    Vana Madhuryam Brasil
  • há 23 horas
  • 8 min de leitura

Atualizado: há 11 minutos


Śrīla Bhaktivedānta Vana Gosvāmī Mahārāja

16 de julho de 2020, Zoom


Hoje é um dia extremamente auspicioso: é o dia de Ekādaśi no mês de Śrāvaṇa, também conhecido como Śrāvaṇī Ekādaśi. Neste mês, também celebramos Guru-pūrṇimā e o início do Cāturmāsya. Logo após quinze dias do início do mês, celebraremos o dia do desaparecimento de Śrīla Rūpa Gosvāmīpāda. E por fim, o Jhulana-utsava começa hoje em Vṛndāvana, terminando após cinco dias.


Falarei um pouco acerca de Śrīmatī Rādhikā, sobre como Ela vai de Yāvaṭa a Varṣāṇā. A esse respeito, Gurudeva explicou muito bem que, neste mês de Śrāvaṇa, de acordo com a cultura védica em Vṛndāvana, as mulheres casadas retornam da casa de seus sogros para a casa de seus pais. Essa é uma tradição que perdura há muito tempo. Por isso, todas as jovens de Vraja saem das casas de seus sogros e prosseguem para a casa de seus pais em Varṣāṇā. A maioria dessas jovens casadas permanecem na casa de seus pais por pelo menos um mês, enquanto algumas ficam durante todos os quatro meses do Cāturmāsya.


O mês de Śrāvaṇa é muito importante em nossa tradição de Vraja e, na Índia, está incluído no varṣā-ṛtu (na estação das chuvas). Atualmente, o clima mudou completamente, mas, de acordo com nossos śāstras (textos sagrados), na época em que Kṛṣṇa estava presente neste mundo, a estação das chuvas em Vraja era conhecida como rim-jhim-varṣā. Às vezes não chovia muito; em vez disso, havia uma garoa leve. Mas, em outros momentos, ocorria uma chuva muito forte, visto que é o mês de Śrāvaṇa


Durante a estação das chuvas, as pessoas ficam muito felizes porque, em Vraja, há um calor intenso alguns meses antes, período conhecido como grīṣma-ṛtu. Grīṣma é a estação do verão e, especialmente em Vraja, é difícil acreditar que, embora a temperatura geralmente permaneça entre quarenta e quarenta e cinco graus, às vezes ela possa chegar a cinquenta e cinco graus.


Gurudeva costumava dizer que, por vezes, os raios do sol são tão intensos que a pele dos cervos chegam a queimar, fazendo-os sofrer com o calor abrasador. Em Vraja, em particular, sopra uma rajada de vento conhecida como loo, que é extremamente quente e muito perigosa. Se esse ar penetrar no corpo, pode até mesmo levar à morte. 


Nessa época, Vraja fica completamente seca e a poeira se espalha por toda parte. Todos em Vraja sentem um certo desconforto devido a isso; até mesmo as árvores ficam totalmente secas. Além disso, as pessoas não conseguem dormir à noite por causa do calor e do vento loo, que torna a situação difícil de suportar.


Hoje em dia, as pessoas utilizam diversas tecnologias modernas, como o ar-condicionado, para se refrescarem. Mas, nos tempos antigos, elas suportavam essas condições adversas por conta própria. Até mesmo a tartaruga buscava abrigo na lama, pois o rio Yamunā ficava quase seco. No entanto, quando chegava a estação das chuvas, o coração de todos se enchia de alegria, pois, após o período de seca intensa, surge uma nova vida (nava-jīvana) na forma da chuva. Por isso, o mês de Śrāvaṇa é também conhecido como o início da estação chuvosa.


Śrīla Śukadeva Gosvāmīpāda também descreve de forma belíssima a estação das chuvas no Śrīmad-Bhāgavatam. Nessa época, os agricultores cultivam a terra, e todas as lagoas e rios ficam cheios de água. Às vezes, quando chove dia e noite, os sapos celebram, coaxando durante toda a noite. Com a chuva, eles saem de suas tocas e saltam para as águas rasas. Mal sabem eles, porém, que estão atraindo a própria morte: quando um sapo coaxa, a cobra consegue ouvi-lo e acaba matando-o com sua picada.


O coração de todos em Vraja transborda de alegria neste mês, pois também ocorre uma celebração especial chamada Jhulana-mahotsava.  O Jhulana-yātrā (o festival do balanço) de Vraja é glorificado de maneira magnífica nas obras Śrī Kṛṣṇa-bhāvanāmṛta, Śrī Govinda-līlāmṛta e Ānanda-vṛndāvana-campū, escritas, respectivamente, por Śrīla Kṛṣṇadāsa Kavirāja Gosvāmī, Śrīla Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura e Kavi-karṇapūra.


Segundo a tradição de Vraja, esse festival estende-se por quatro meses; contudo, nos tempos atuais, é mais comum que ocorra durante o primeiro mês de Śrāvaṇa. Assim, esse mahā-mahotsava (grande festival) é celebrado por todos os Vrajavāsīs (residentes de Vraja), especialmente pelas jovens. Eis as glórias de Vṛndāvana, Vṛndāvana-mahimā!


Yogamāyā dispõe de forma encantadora as árvores tamāla e kadamba. Em Vṛndāvana, em particular, existem dois tipos de kadamba: um chamada eri-kadamba e outro, bokul-kadamba. Dessa maneira, as árvores tamāla e kadamba também celebram esse festival de modo maravilhoso.


Todas as jovens de Vraja já haviam retornado às casas de seus pais, exceto Śrīmatī Rādhikā, que aguardava ansiosamente a chegada de Seu irmão, Śrīdāmā, para levá-la a Varṣāṇā. O primeiro dia de Śrāvaṇa passou, assim como o segundo, mas Śrīdāmā ainda não havia chegado. Às vezes, Ela subia ao terraço de Sua casa, olhava na direção de Varṣāṇā e pensava consigo mesma: "Quando Meu irmão Śrīdāmā virá?" Como Śrīmatī Rādhikā não o via chegar, ficava cada vez mais ansiosa, perguntando-Se repetidamente quando é que ele viria.


De repente, Śrīmatī Rādhikā viu algumas jovens coletando lenha na floresta — as jovens pulinda — e chamou-as: "Se vocês vão a Varṣāṇā, perguntem ao Meu pai, Vṛṣabhānu Mahārāja, quando Meu irmão Śrīdāmā virá." Já haviam se passado três dias, e Śrīmatī Rādhikā não conseguia mais suportar a espera. Então, de repente, ela viu Seu irmão Śrīdāmā chegando! Śrīmatī Rādhikā já havia arrumado todas as Suas roupas e, quando Śrīdāmā chegou, deixando de lado toda a Sua timidez, Ela abriu a porta e correu em direção a ele. Ela o chamou: "Oh, Meu irmão Śrīdāmā! Śrīdāmā!" Śrīmatī Rādhikā lançou-Se sobre o peito de Seu irmão e começou a chorar. Essa é a cultura de Vraja: todas as jovens casadas devem retornar às casas de seus pais. Mas Ela não esperou por nada; rapidamente, disse ao irmão: "Temos que ir!" Assim, finalmente, ambos retornaram a Varṣāṇā.


Em antecipação, em Varṣāṇā, Vṛṣabhānu Mahārāja observava do terraço, pensando também consigo mesmo: "Quando minha filha Śrīmatī Rādhikā chegará?" Quando Vṛṣabhānu Mahārāja teve o primeiro vislumbre de Śrīmatī Rādhikā à distância, desceu imediatamente do terraço para abrir a porta. Então, Śrīmatī Rādhikā lançou-Se sobre o peito de Vṛṣabhānu Mahārāja e começou a chorar. Ela disse: “Por que você não enviou Meu irmão Śrīdāmā antes? Eu estava esperando há tanto tempo!”


yugāyitaṁ nimeṣeṇa cakṣuṣā prāvṛṣāyitam

śūnyāyitaṁ jagat sarvaṁ govinda-viraheṇa me


Śrī Śikṣāṣṭakam (7)


[“Ó Govinda! Por causa da separação de Ti, considero até mesmo um instante um grande milênio. Lágrimas fluem dos Meus olhos como torrentes de chuva, e vejo o mundo inteiro como um vazio.”]


Haviam se passado três dias até que Śrīdāmā chegasse. Mas Ela sentia como se tivessem se passado três milhões de eras de Brahmā. Por isso, Vṛṣabhānu Mahārāja também abraçou Śrīmatī Rādhikā contra o peito e chorou. Isso é natural, pois Śrīmatī Rādhikā é hlādinī-śakti, a potência de prazer de Kṛṣṇa. O coração daquele que toca a potência de prazer derrete-se automaticamente, e foi isso que Vṛṣabhānu Mahārāja experienciou.


Vṛṣabhānu Mahārāja disse: “Ó Śrīmatī Rādhikā! A culpa não é minha. Todos os dias eu dizia a ele: ‘Você precisa ir buscar sua irmã’, mas Śrīdāmā sempre respondia: ‘Está bem, amanhã eu vou. Hoje tenho um trabalho ou outro para fazer.’” Dessa forma, Vṛṣabhānu Mahārāja acalmou Śrīmatī Rādhikā. 


Depois, Śrīmatī Rādhikā encontrou-Se com Sua mãe, Kīrtidā-sundarī, e Seus olhos se encheram de lágrimas. Elas conversaram sobre muitos passatempos que haviam ocorrido recentemente em Varṣāṇā. Por fim, Śrīmatī Rādhikā encontrou todas as Suas sakhīs (amigas), especialmente Lalitā, Viśākhā, Rūpa-mañjarī e outras. Todas elas estavam esperando por Śrīmatī Rādhikā em Varṣāṇā. 


Em seguida, todas brincaram no jhulana (balanço) no topo da montanha de Varṣāṇā, chamada Brahmā-parvata. Em Varṣāṇā, Brahmājī e Viṣṇu manifestaram-se na forma de montanhas chamadas Brahmā-parvata e Viṣṇu-parvata, respectivamente. Se vocês forem a Varṣāṇā e realizarem o parikramā (peregrinação) chamado Saṅkārī-khora, poderão ver Brahmā-parvata à direita e Viṣṇu-parvata à esquerda.


Assim, Brahmājī manifestou-se na forma de uma montanha e, no topo dela, encontra-se o belíssimo local de Śrīmatī Rādhikā, o Śṛṅgāra-bhavana. Nesse lugar, Śrīmatī Rādhikā e Kṛṣṇa encontram-Se com todas as sakhīs e também realizam o Jhulana-yātrā. O topo da montanha é conhecido como o lugar de Rādhārāṇī. Embora não seja o local de nascimento d’Ela, é o Seu vilāsa-kṛda-bhūmi (local de passatempos amorosos e prazerosos). Este é o local onde Rādhā, Kṛṣṇa e todas as sakhīs realizam doces līlās (passatempos).


O verdadeiro local de nascimento de Śrīmatī Rādhikā é a casa de Vṛṣabhānu Mahārāja e Kīrtidā-devī — o palácio deles, situado na encosta da montanha. Kṛṣṇa, que é muito ardiloso, costumava ir lá de vez em quando para encontrar Śrīmatī Rādhikā. Dessa maneira, Rādhārāṇī e todas as Suas sakhīs organizavam um belíssimo Jhulana-yātrā.


Como mencionado anteriormente, neste mês de Śrāvaṇa, cai uma chuva fina — rim-jhim-varṣā; Gurudeva costumava usar essa expressão. Além disso, as gopīs vestiam belos sārīs de seda, com os corpos completamente encharcados pela chuva. Todas cantam esta canção tradicional de Vraja:


jhūlā jhūle rādhā-dāmodara vṛndāvana mẽ

kaisī chāī hariyālī ālī kuñjana mẽ


[“Rādhā e Dāmodara balançam-Se em um balanço em Vṛndāvana.

Ó amiga, quão exuberante são os bosques da floresta!”]


ita nanda ko dulāro, uta bhānu kī dulārī

jorī lāge ati pyārī basi nainana mẽ


[“De um lado está o querido filho de Nanda; do outro, a querida filha de Vṛṣabhānu Mahārāja. Eles juntos parecem encantadores. Mantenho-Os diante dos meus olhos.”]


jamunā ke kūla, pahira suraṅga dukūla

taise khila rahe phūla in kadamana mẽ


Canção Jhūlā Jhūle Rādhā Dāmodara (1–3)


[“Às margens do Yamunā, Eles vestem trajes belos e coloridos. Oh, como as flores desabrocham nas árvores kadamba!”]


Dessa forma, as gopīs de Vraja realizavam o doce Jhulana-mahotsava, e Śrīmatī Rādhikā, juntamente com todas as sakhīs, estava completamente absorta na celebração deste festival do balanço. O Jhulana-mahotsava não é celebrado apenas em Vraja, mas também em outros lugares. No entanto, as festividades principais ocorrem em Varṣāṇā, no topo da montanha Brahmā-parvata. Às vezes, as gopīs também realizam o Jhulana-mahotsava no Lalitā-kuṇḍa. Ao realizar o Vraja-maṇḍala parikramā, talvez vocês já tenham visto esse belo local: de um lado do Lalitā-kuṇḍa fica Nandagaon e, do outro, Uddhava-kyari. Existem histórias muito belas sobre esse passatempo.


As gopīs prepararam tudo com muito esmero naquele local e decoraram o balanço de maneira belíssima. As vestes de Śrīmatī Rādhikā e das gopīs também estavam adornadas de forma encantadora. Em um kuñja (bosque) por perto, Lalitā-devī estava confeccionando uma guirlanda. Enquanto isso, Nārada Ṛṣi chegou e perguntou: "Ó Lalitā! O que você está fazendo aqui?" Lalitā-devī respondeu: "Estou fazendo uma guirlanda para Kṛṣṇa, mas talvez ela esteja grande ou curta demais para Ele. Por isso, vou desmanchá-la e fazer uma nova." Então, Nārada Ṛṣi disse: "Ó Lalitā! Ouça, Kṛṣṇa está bem perto do seu kuṇḍa, pastoreando as vacas. Se você quiser, posso chamá-lO; assim, você poderá tirar as medidas e confeccionar a guirlanda para Ele da maneira adequada." Lalitā-devī respondeu: "Ah, isso é ótimo!"


Em seguida, Nārada Ṛṣi chamou Kṛṣṇa, que concordou em vir encontrar Lalitā-devī. Assim, Lalitā-devī pôde tirar as medidas necessárias para fazer a guirlanda. Por acaso, Śrīmatī Rādhikā não estava presente naquele momento. Então, Nārada Ṛṣi sugeriu: "Ó Kṛṣṇa! Como Śrīmatī Rādhikā não está aqui agora, Lalitā pode sentar-se com Você neste balanço."


Assim, Kṛṣṇa e Lalitā sentaram-se no balanço, ao passo que Nārada Ṛṣi deixou o local e foi até o kuñja de Śrīmatī Rādhikā, cantando: "Lalitā-Kṛṣṇa, Lalitā-Kṛṣṇa, Lalitā-Kṛṣṇa!", enquanto tocava sua vīṇā. Śrīmatī Rādhikā então perguntou: "Ei, você canta 'Rādhe-Kṛṣṇa, Rādhe-Kṛṣṇa' todos os dias; por que hoje está cantando 'Lalitā-Kṛṣṇa, Lalitā-Kṛṣṇa'?" E Nārada Ṛṣi respondeu: "Ó Rādhe, veja como Kṛṣṇa é um grande trapaceiro. Como Você não está no local do balanço, Ele não esperou por Você e está sentado com Lalitā. Ambos estão realizando esta līlā, balançando-se para lá e para cá. Por isso vim aqui. As sakhīs estão cantando esta canção: ‘jhūlā jhūle lalitā-kṛṣṇa vṛndāvana me, kaisī chāī hariyālī ālī kuñjana me.’” 


Ao ouvir isso, Śrīmatī Rādhikā disse: "Como é possível? Todas as sakhīs devem esperar por Mim." Ao que Nārada Ṛṣi respondeu: "Vá até lá e veja!" Assim, Śrīmatī Rādhikā saiu de Seu kuñja e viu Kṛṣṇa sentado no balanço, enquanto as sakhīs O empurravam e puxavam. Śrīmatī Rādhikā, então, manifestou māna (ira transcendental) e não foi até o balanço. 


O entardecer passou, e Kṛṣṇa pensava: "O que faço agora? Por que Śrīmatī Rādhikā não veio?" Kṛṣṇa então foi até o kuñja de Śrīmatī Rādhikā, e Ela ficou muito brava. Kṛṣṇa a acalmou, dizendo: "Ó Rādhike! A culpa não é Minha. Foi Nārada Ṛṣi quem organizou tudo isso. Eu Me sentei com Lalitā e...". Dessa forma, Kṛṣṇa acalmou o māna de Śrīmatī Rādhikā, e Ela retornou ao local do balanço. Assim, Rādhā e Kṛṣṇa sentaram-Se juntos e realizaram um doce passatempo naquele local — a līlā do balanço.


Bolo Jhulana-yātrā mahā-mahotsava kī jaya!

Jaya Jaya Śrī Rādhe!

Mês de Śrāvaṇa kī jaya!


Transmissão ao vivo

Vana Madhuryam Video Archive


Transcrição em inglês

Vana Madhuryam Official


Tradução

Līlā-govinda dāsa (MG)


Edição e revisão

Taruṇī-gopī dāsī (SP)


Logo Vana Madhuryam Brasil com a imagem de Radha e Krishna.

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